Em todos nós uma velha criança resiste, superando na idade o adulto recém-nascido de cada dia. Ela persiste, brincando com o tempo em nossa memória, de modo que um homem, sem o seu menino, não existe.
O medo injustificável é muitas vezes chamado de histeria, medo de uma ameça inexistente, já o medo saudável é um excelente auxílio à nossa autodefesa, viver seria muito mais arriscado sem ele. A morte é uma realidade deste mundo, no entanto, nós cristãos, sentimos o medo da morte diminuindo até se extinguir completamente a medida que crescemos na Fé em Cristo, pois todo o medo saudável só existirá na presença de um perigo real, e "onde está, ó morte, a tua vitória?!"
Escrito está que “a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que ainda não vemos.” Em certo sentido os antigos navegantes descobridores de novos continentes, demonstraram fé ao se lançaram em alto mar naquelas frágeis embarcações antes de alguém um dia ter dito "Terra à Vista!" O ceticismo é a crença daqueles que não acreditam em nada, exceto no ceticismo, ou seja, até os céticos acreditam em alguma coisa. “Não tenho Fé suficiente para ser Ateu”, é o título de um famoso livro de Normam Gleiser e Frank Turek, pois até os ateus têm seus deuses e suas crenças e este velho adágio nos revela uma delas:
“A Morte é nossa única certeza!”
Quando aquela criança, no início da vida foi apresentada àquela que supostamente seria o seu fim, deveria ter uns cinco anos ou mais não me lembro precisamente quando nem exatamente como. Seu pai havia falecido recentemente mas ela não tinha a menor ideia de que aquela sua última viagem tão demorada assim se chamava e muito menos que todos nós teríamos que fazê-la um dia.
Diziam para ele que seu pai estava no céu.
Para aquele pequenino homem de calças curtas, agora o único da casa, apenas as formigas morriam quando picavam a pessoa errada. Mas um dia, alguém deve ter dito perto dele, talvez da televisão ou rádio aquele velho dogma existencialista - a morte é a nossa única certeza, todos nós a encontraremos um dia, portanto, aproveitemos, “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos !”
Então ele se pôs a chorar compulsivamente!
Lembro-me bem de que a mãe tentava acalmá-lo e na sua simplicidade de mulher da roça, semianalfabeta porém sábia na vida, achava até graça da situação:
— Mais vai demorar filho, você ainda é pequeno…
Mas aquele menino não parecia se contentar de forma alguma em desfrutar de apenas uma porção de vida, por mais longa que parecesse, pois ainda que não soubesse expressar o seu desejo com o qual ele deve ter nascido – aquele menino queria viver eternamente!
Mas agora ele chorava, tanto por ele mesmo como por seu pai e por sua mãe, porque eram apenas os dois e se morrer era ruim ficar sem pai e sem mãe, talvez, pior ainda.
— Eu não quero saber, eu não quero morrer!
Deus certamente em seus infinitos poder e misericórdia, da Eternidade, ouviu aquele menino, antes da Fundação do Mundo!
Contudo, quando cansou de chorar foi dormir e quando acordou, como ainda estava vivo e era um belo dia de sol, foi brincar. Os dias foram se passando e como ninguém de casa morreu, foi vivendo, crescendo e aprendendo.
A medida que crescia e aprendia, na escola, nos livros, nas notícias ouvia muito falarem sobre a morte, conheceu muito bem a sua fama através de histórias reais e fictícias sobre a vida, pois parecia não haver neste mundo um lugar que ela, a Morte, ainda não havia visitado.
Mas eis que um belo dia foi apresentado a um livro diferente, não era qualquer livro porque seu autor não era um simples homem mas o Próprio Deus! Sim, o Livro de Deus ou como alguns já disseram – o deus dos livros! Tudo o que nele está escrito é verdade, tanto as coisas que aconteceram como aquelas que ainda hão de acontecer, porque Aquele que o inspirou é o Senhor de todas as coisas, Criador do céu e da terra, que contou cada fio de cabelo de nossa cabeça e que chama a cada uma das estrelas pelo seu próprio nome. Neste mundo, não há homem algum infalível, mas aquele livro é inerrante! E naquele livro que diz somente a verdade, ele leu o que Está Escrito sobre a morte:
⁸ Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor Jeová as lágrimas de todos os rostos, e tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra; porque o Senhor o disse. Isaías 25:8
(...) não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é de mortos, mas sim é Deus de vivos. (...) Marcos 12:26,27
Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados 1 Coríntios 15:50-52
Então feliz da vida pensou naquela que um dia o vira chorar: — Mãe, eis que eu chorei à toa porque a morte não é certeza coisa nenhuma!
‘ Onde está, ó morte, a tua vitória?!
Eu os redimirei do poder da sepultura; eu os resgatarei da morte. Onde estão, ó morte, as suas pragas? Onde está, ó sepultura, a sua destruição? (…) Oseias 13:14
𝕾𝖔𝖑𝖎 𝕯𝖊𝖔 𝕲𝖑𝖔𝖗𝖎𝖆!
In memórian, ao Sr. Benico e D.Maria, meus pais que me adotaram, minha mãe, serva do Senhor, que tanto chorou e orou por mim.