Mostrando postagens com marcador Interpretação de Textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Interpretação de Textos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

A Bíblia e a Literatura

 O tema - Lendo a Bíblia como Literatura - presente nos "auxílios" da Bíblia de Estudos NAA, pg. 2454, chamou-me a atenção, pesquisei pelo autor e conheci algumas de suas obras.

Se há uma coisa que a Bíblia não é, afirma Leland Ryken, PhD, University of Oregon, "é um esboço teológico com provas textuais anexadas". E considerando que Bíblia é um livro misto - escritos literários e não literários (expositivos) existem lado a lado, ela (também) deve ser lida no sentido literário - exposto a seguir - e não apenas interpretada. Suas verdades estão incrustadas como joias nos estratos ricos de histórias e poesia, metáfora e provérbio, parábola e letra, sátira e simbolismo.

Quando pediram para Jesus definir o próximo, ele contou uma história (Lc10.25-27). Em vez de definir o próximo de maneira abstrata ou proposicional, Jesus preferiu nos contar uma história que o personifica, isso sugere, desde o princípio, aquilo que é mais importante sobre literatura: o seu assunto é a experiência humana e não as ideias abstratas. A narrativa é contada com riquíssimo talento literário. Ela segue o princípio da tripla repetição: certo acontecimento ocorre três vezes (três personagens se deparam com o viajante atacado por ladrões) com uma mudança significativa na terceira vez, o uso hábil de uma técnica literária realça de modo muito mais nítido a boa ação do samaritano ao compará-la com a indiferença do sacerdote e do levita.

O conhecimento ou a verdade que a literatura nos traz é uma percepção de realidade ou da verdade como ela realmente é vivenciada.

De fato, Nosso Senhor também apontou para a vivencia experiencial ao responder a discípulos de João Batista quando estes lhe indagaram se Ele era realmente Aquele que havia de vir: Lucas 7:22 "Ide e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho." Lucas 7:22, ou seja, Jesus declara que a resposta que deverão levar não é apenas um breve "sim" mas uma precisa descrição da realidade que vivenciaram. Ainda, quando foi mais breve ao revelar-se para a Samaritana: "Eu sou o Messias" concluiu "eu que falo contigo." Jo 4.26

O conhecimento ou a verdade que a literatura nos traz também é uma percepção de realidade ou da verdade como ela realmente é vivenciada. A literatura demonstra a experiência humana em vez de discorrer sobre ela. Ela é personificada e lida com ações, em lugar de apenas conceitos, sua tendência é a de incorporar a experiência humana e não a de formular ideias por meio de proposições intelectuais.

Enfim, segundo o autor, uma perspectiva da Bíbilia como literatura significa que ao lê-la, devemos recriar as experiências, as sensações e os acontecimentos nela retratados. A proposta nos exorta a sermos sensíveis ao seu lado experiencial e dessa forma, resistirmos a tendência de transformar cada uma das passagens do Texto Sagrado em uma proposição teológica, como se fosse unicamente para este fim que a passagem existisse. Afinal, se há uma coisa que a Bíblia não é, reafirma o autor, é um esboço teológico com provas textuais anexadas.



quinta-feira, 7 de julho de 2022

Os Coeficientes Amigos - Dica Preciosa para Redações

Da obra A linguagem usual e a composição de Júlio Nogueira.

Eis-nos face a face com o assunto sobre que temos de discorrer, produzindo uma composição de trinta ou quarenta linhas, no mínimo. O assunto é um desses temas abstratos, que nos parecem áridos, avaros de ideias. Seja:
a “amizade”, por exemplo.

Que dizer sobre a amizade? Como encher tantas linhas, formulando períodos sobre períodos, se as ideias nos escapam, se a imaginação está inerte, se nada encontramos no cérebro que nos pareça digno de ser expresso de forma agradável, e sobretudo, correta? Qual a orientação que devemos seguir versando tal assunto até a conclusão, de maneira que nos desempenhemos dessa tarefa superior às nossas forças?

Agora a resposta, o remédio. Antes de tudo: se o nosso estado de espírito é de perplexidade, se nos domina essa preocupação pungente, esse desânimo de chegar a um resultado satisfatório, o que temos de fazer é – não começar a tarefa imediatamente. 

Em vez de lançar a esmo algumas exclamações, algumas frases inexpressivas sobre o papel, reflitamos, concentremo-nos. Empreguemos uma quarta parte do tempo de que dispomos em pensar, em metodizar o assunto, em dividi-lo nos pontos que ele comporta e em submetê-lo aos coeficientes amigos 
que aqui vamos enumerar e que nos darão mais que a matéria necessária. Esses coeficientes protetores não serão sempre os mesmos nem no mesmo grau para todos os assuntos, mas há-os para tudo. Chamam-se definição, distinção, considerações gerais, antecedentes, tempo, lugar, comentários, narração a propósito do tema (fato conhecido, anedota, fábula...), consequências, discurso direto e outros que o engenho de cada um poderá estremar. Vamos colher aqui o que nos pode servir para o assunto dado – a amizade.

A definição nos dirá ser a amizade um sentimento que consiste em estimar a outrem, querer a sua presença, desejar-lhe todo o bem possível; sentimento que traz um grande encanto à vida. A distinção nos sugere que a amizade pode ser verdadeira ou apenas aparente. Nesta segunda classe estamos a ver os interesseiros, os que se dizem nossos amigos, pensando em obter vantagens e favores, e que, passada essa possibilidade, nos voltam as costas, nem nos reconhecem nos dias difíceis para nós. Por esse caminho virão também outras ideias. As considerações gerais serão no sentido de cada um semear amizade por toda parte, fazer-se estimar por todos, desarmar prevenções que às vezes, sentimos contra certas pessoas em que depois só reconhecemos bons predicados e a quem estendemos francamente a mão de amigo. Citemos a propósito o provérbio que diz: Mais vale amigo na praça que dinheiro na caixa. O Tempo nos poderia servir. É justo considera-lo o cadinho da verdadeira amizade, a qual se perpetua, resistindo aos embates da vida. O lugar nos dirá que a distância não é nociva à verdadeira amizade. Os amigos, ainda que separados, continuam a interessar-se pela sorte recíproca: correspondem-se, trocam notícia de caráter pessoal. 

Podemos recorrer a fatos históricos ou lendários que se apliquem à matéria. Aludamos ao caso de Dâmon e Pítias, que nos dará muitos pares de linhas. Se não o conhecemos, contemos um fato da vida real e, se não nos ocorre nenhum, inventemo-lo! Imaginemos alguém que chega de uma longa viagem, a quem dizem que um seu amigo está morrendo à míngua num casebre dos subúrbios, porque os negócios lhe correram mal e uma moléstia cruel o salteou, quebrando-lhe toda a atividade. Descrevamos o encontro dos dois, as medidas que o recém chegados toma, transferindo para o conforto de sua residência o amigo enfermo: a chamada do médico, a compra de remédios e dieta necessária e, por fim, o restabelecimento do amigo, que vota à atividade da vida em ainda apoiado pelo outro, faz bons negócios e satisfaz os seus compromissos. Imaginemos agora o que aconteceria se não fosse esse ato de amizade.

Procedendo com este método ainda parecerá difícil a tarefa? Decerto que não. A dificuldade primacial estava na produção das ideias, mas os coeficientes amigos nos salvaram. 


Pensando nele, investigando a melhor maneira por que se podem aplicar ao assunto, facílimo será organizar o nosso plano, isto é, o arcabouço, as linhas gerais da nossa composição, antes do que não devemos absolutamente iniciar a tarefa.

Falamos ou escrevemos quando temos alguma coisa que dizer. A ideia surge no cérebro e exterioriza-se pela palavra. No colóquio o apoio ou a contestação dos nossos ouvintes vai despertando novas ideias, que por sua vez, se vão exprimindo. Na linguagem escrita, porém, falta-nos esse estimulante, esse aparelho produtor de novas ideias. O nosso cérebro por si só é que não há de fazer o trabalho. Por isso devemos separar todas as peças da nossa composição e procurar materiais por esses processos, uma vez que não tenhamos o dom de escrever de improviso, o que só é dado a raros indivíduos.


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

As Três Operações da Razão



A IDEIA, O JUÍZO E O RACIOCÍNIO

Da obra Métodos Lógicos e Dialéticos de Mário Ferreira dos Santos

"Quem conhece alguma coisa sobre as regras da Gramática, da Lógica e da Retórica sabe que elas governam as operações que realizamos pela linguagem, no processo da comunicação". Mortmer J. Adler - A Arte de Ler Livros.

Se a primeira operação da razão é conceitualizar (formular conceitos, a segunda é formular juízos e a terceira é o raciocínio ou inferência (inferências imediatas e mediatas) operação que consiste em extrair de um ou mais juízos, que se designam por premissas, um outro juízo, que é a conclusão. Ex:

Todos os Filósofos são sábios. 1° premissa
Alguns Gregos são filósofos. 2° premissa.
Portanto, alguns Gregos são sábios – conclusão.
 

1.            A Ideia – Definição, a ideia, também chamada noção ou conceito, é a simples representação intelectual de um objeto. Diz-se que a ideia é uma representação porque constitui um ato cognitivo; simples, porque se distingue do juízo. Intelectual, porque não se confunde com a imagem que é a representação apenas sensível dos objetos.

A expressão verbal do conceito é o termo. Não devemos confundir o termo com a palavra. Um termo pode ser expresso por uma ou mais palavras. O termo se distingue também da ideia. Uma ideia pode ser expressa por vários termos, assim como um termo pode exprimir várias ideias.

Diante de uma série de aspectos semelhantes, deu-lhes o homem uma denominação genérica; o conceito. Em face de um, dois, inúmeros fatos semelhantes, chamou-os de árvore, montanha, rio, chuva, porque cada um desses termos designava, denominava fatos semelhantes, ou nos quais havia caracteres, dados parecidos, que se repetiam. Mas, cada árvore é uma árvore, singular, única, diferente de todas as outras; cada árvore, que é diferente, tem aspectos que se repetem nas outras que os têm em comum com aquela. Pois os aspectos que em todas se repetem, formam o conceito em seu sentido ideal, formam a ideia da árvore, que não é uma árvore singular, mas a árvore como ideia. Curso de Oratória e Retórica MFS p. 49 pdf.

Caracteres da ideia – a ideia é imaterial porque se apresenta desprovida de matéria, sobretudo quando exprime conceitos morais (justiça, virtude, etc.), ou metafísicos (substância, qualidade, etc.); é abstrata, porque isola e considera, separadamente, elementos que estão unidos nos objetos; é geral, porque seu conteúdo convém a um número ilimitado de objetos.

A ideia estudada sob o ponto de vista da lógica é diferente da estudada sob o ponto de vista da psicologia. Na psicologia, a ideia é considerada em sua gênese e em seu mecanismo, revelando-se então como uma síntese de imagens, como uma integração de elementos psíquicos, realizada através da sensação, da percepção, da abstração e da generalização. Na lógica, a ideia é considerada em si mesma, abstraída das causas que a produziram, caracterizando-se apenas pela sua aptidão para ser sujeito ou predicado de uma proposição.

Natureza da Ideia

Compreensão e extensão – numa ideia, e, portanto, num termo, podemos considerar a compreensão e a extensão. A Compreensão é o conjunto dos elementos que constituem a ideia. Assim, a ideia de homem implica os elementos – ser, ser vivo, sensível, racional. A extensão é o conjunto de indivíduos a que a ideia se aplica. A extensão da ideia de homem, por exemplo, abrange todos os homens existentes.

A compreensão de uma ideia está na razão inversa da sua extensão. Isto significa que, quanto mais simples for uma ideia, tanto mais geral ela será. Quanto mais composta, tanto mais particular. A ideia de ser é a menos datada de elementos e, por isso, a mais universal; a ideia de homem (ser homem), implicando maior número de elementos, só é aplicável a um grupo de seres; a ideia de homem brasileiro (ser homem brasileiro), que acrescenta a ideia de ser e de homem novos elementos, é ainda mais restrita em sua extensão; enfim, a ideia de José ou Pedro, cuja compreensão, é mais rica de elementos, (ser, homem, chamados José, Pedro) é também a mais limitada quanto à extensão.

Torna-se, assim, possível ordenar as ideias e, portanto, os seres que elas representam, segundo uma hierarquia baseada na sua extensão. A ideia superior em extensão chama-se gênero e a ideia que lhe é inferior, espécie.

Classificação das Ideias
Quanto a sua perfeição, as ideias podem ser:

  1. Adequadas – quando representam todos os elementos do objeto, inadequadas, no caso contrário.
  2. Claras, quando caracterizam, nitidamente, seu objeto; obscuras, no caso contrário.
  3. Distintas, quando tornam conhecidos todos os elementos do seu objeto; confusas, no caso contrário. (Distinção – na filosofia diz-se que uma coisa é distinta quando não é outra, uma ideia distinta particulariza-se, individualiza-se de modo a não confundir-se com outra),

Quanto à compreensão, podem ser:

  1. Simples, quando constituídas por um só elemento – a ideia de ser.
  2. Compostas, quando constituídas por mais de um elemento, a ideia de homem sábio.

Quanto à extensão, podem ser:

  1. Singulares ou individuais, quando representam um só indivíduo determinado, este homem, Aristóteles.
  2. Particulares, quando representam uma parte indeterminada de uma classe ou de um gênero: Vários homens, alguns animais.
  3. Universais, quando representam a totalidade dos indivíduos de um gênero ou de uma espécie determinada, a ideia de animal na expressão – os animais respiram.

Definição e divisão – as ideias, para se tornarem claras, devem ser analisadas, isto é, as noções mais simples que a constituem devem ser enumeradas. A análise das ideias, sob o ponto de vista da compreensão, dá-nos a definição e, sob o ponto de vista da extensão, dá-nos a divisão.

  1. Definição – de um modo geral, definir é explicar o sentido de uma palavra ou a natureza de uma coisa. Em lógica, definir é analisar a compreensão de uma ideia. Definição significa delimitar, isto é, circunscrever exatamente a compreensão de um objeto. A definição deve convir somente ao objeto definido e ser mais clara do que o mesmo.

  1. Divisão – de um modo geral, dividir é separar as partes de um todo. Em lógica, dividir é enumerar todos os elementos que uma ideia abrange por sua extensão. A divisão, que é uma operação complementar da definição, deve ser completa, irredutível e baseada sobre o mesmo princípio.


2.    O Juízo Noções de Juízo – uma vez concebida as ideias, a inteligência procura determinar-lhes as relações. É o que se chama julgar. Juízo, é, assim, o ato pelo qual o espírito afirma ou nega uma coisa de outra. O homem é mortal, a planta não é racional, são juízos. No primeiro, afirmamos a mortalidade do homem e, no segundo, negamos a racionalidade da planta.

Para a lógica, o juízo é um objeto ideal, uma forma de pensamento, para a psicologia, é um fato real, uma função psíquica condicionada por vários fatores que podem ser estudados. (fazer da ideia ao juízo, convite à filosofia)

Elementos do juízo – o juízo se compõem de três elementos:

  1. Um sujeito de quem se afirma ou se nega alguma coisa.
  2. Um atributo ou predicado, que é coisa que se afirma ou se nega ao sujeito.
  3. Uma afirmação ou negação.

O sujeito e o atributo constituem a matéria do juízo, e a afirmação ou negação representam a sua forma.

Divisão dos juízos – os juízos podem ser classificados quanto à forma e quanto a matéria. No primeiro caso temos:

Quanto a forma:

Juízos afirmativos – quando afirmam uma relação de conveniência entre o sujeito e o predicado.

Juízos negativos – quando negam uma relação de conveniência entre o sujeito e o predicado.

Quanto a matéria:

Juízos analíticos – quando a ideia do predicado está contida (implicada) na ideia do sujeito – Ex: Todo homem é racional. (o predicado nada acrescenta à ideia do sujeito).

Juízos sintéticos – quando a ideia do predicado não está contida na ideia do sujeito – Ex: Este homem é velho. (o predicado acrescenta algo á ideia do sujeito).

Síntese– do grego syn, com e thesis, posto, composição a) Ato pelo qual compomos, reunimos, juntamos elementos diversos, dados separadamente, unindo-os numa totalidade. Neste sentido opõe-se a análise.. b) Metodologicamente considerado, é a tomada como totalidade dos fatos simples, distinguidos pela análise. C) emprega-se também para indicar a operação que partindo dos fatos singulares ou particulares, alcança ao conjunto.

JUÍZOS ANALÍTICOS: aqueles nos quais o predicado não acrescenta nada ao sujeito, ou seja, o predicado não mostra nada mais do que já está implícito no próprio sujeito, é pura análise, são a priori por serem UNIVERSAIS (não dependem de tempo e lugar e NECESSÁRIOS (por não poder ser de outro modo, mas são o que são). EXEMPLO: O TRIÂNGULO POSSUI TRÊS LADOS - nada foi informado, pois todo triângulo possui três lado.

JUÍZOS SINTÉTICOS: são aqueles em que o predicado acrescenta algo ao sujeito, ou seja, o predicado mostra algo além do que já está implícito na ideia do sujeito. São a posteriori por dependerem da EXPERIÊNCIA. EXEMPLO: ESTE TRIÂNGULO É VERMELHO.

Em "Crítica da Razão Pura" Kant nos demonstra a diferença crucial entre os Juízos Analíticos e Sintéticos. Em todos os juízos em que se concebe a relação de um sujeito com um predicado (considerando os juízos afirmativos, pois nos negativos é mais fácil fazer, depois a aplicação) esta relação é possível de dois modos: ou o predicado B pertence ao sujeito A como algo nele contido (Juízo Analíticos), ou B é completamente estranho ao conceito de A (Juízo Sintético) apesar de "enlaçado" com ele. 

Ver Teoria dos Juízos de Kant.

IMPLICÂNCIA – Quando tomamos um pedaço de pano, e o dobramos para coser, diz-se que se faz uma prega. Essa palavra vem de plicare, latina, pregar. E quando um conceito está plicado em outro, embrulhado em outro, temos um conceito implicado em outro. E temos, então, o termo implicado, na Filosofia. Então os conceitos estão implicados em outros, e essa característica de serem tal é a implicância. Mas às vezes, mais de um conceito estão implicados em outro, estão complicados, temos a complicância.

Assim como sucede com os conceitos, sucede com os juízos. Um juízo pode estar implicado em outro. Assim, quando digo que todos os homens são mortais, tenho implicado – Alguns homens são mortais. – como também – este homem é mortal. Então, de um juízo universal, que inclui todos, posso tirar alguns que já estão implicados, como também um, que também está implicado. MFS Convite à Filosofia e à História da Filosofia, p 31 livro. Dicionário MFS – IMPLICAÇÃO – etimologicamente significa o que é contido em outro, o ser contido em outro. Diz-se que um objeto de conhecimento implica outro, se dado o primeiro, o segundo decorre necessariamente. B. Também quando há implicação de uma ideia em outra, se a primeira não pode ser pensada sem a segunda como nos correlativos – pai e filho, senhor e escravo, etc.

DEDUÇÃO INDUÇÃO – Convite à Filosofia e à História da Filosofia, p. 14 pdf – (...) de um juízo universal, que inclui todos, posso tirar alguns que já estão implicados, como também um que também está implicado. Quando faço tal, eu deduzo, eu tiro (de ducere, latim, conduzir, daí duce, o guia, condutor). Quando deduzo, tiro um juízo de outro; eu deduzi. E chama-se dedução essa atividade do espírito que consiste em tirar de um juízo universal um juízo particular.

Mas posso proceder de maneira inversa (numa versão in, contrário). Posso partir de particularidades para chegar a uma generalidade. Vejamos como procede o espírito humano: Se eu soltar este livro aqui no ar, ele cai. É um corpo pesado, e cai. E cai também este copo, este cinzeiro. E verifico ainda mais, que todos os corpos pesados soltos no espaço caem. E assim o verificam todos os homens. Posso, então, desses fatos particulares, formar o juízo universal de que todos os corpos pesados, soltos no espaço caem.

Então que fiz: deduzi? Não, eu duzi in, para, pois o termo in em latim também significa para; eu conduzi para, eu induzi, e temos a indução.

São, pois, dois os métodos (meth’odos que quer dizer, caminho, caminho real, verdadeiro, bom, daí o método, o bom caminho para chegar a alguma coisa).

Método dedutivo – que parte do geral para o particular.
Método Indutivo – que parte do particular para o geral.

A Filosofia é, em geral dedutiva; A Ciência, por exemplo, é mais indutiva. A Ciência parte dos fatos particulares (observados pela experiência) para estabelecer juízos universais, dos quais depois deduz outros particulares: é indutiva-dedutiva.

A Filosofia, em geral, deduz, e muitos julgam até que sua única atividade é dedutiva, enquanto outros defendem também o método indutivo-dedutivo e o dedutivo-indutivo.







 

sábado, 27 de julho de 2013

A Arte de Ler Livros - “How to Read a Book” de Mortimer J. Adler e Charles Van Doren.



Um clássico das Artes Liberais, grande êxito editoral que sobrevive como tal desde a década de 40 quando do seu lançamento . Em língua portuguesa  recebeu o nome de "A arte de ler". Mortimer e Charles nos ensinam a valiosa técnica da boa e produtiva leitura. De acordo com os professores, devemos conceber quatro níveis bem distintos em que a prática desta arte deve se desenvolver:

1) Nível elementar
2) Nível inspecional (ou skimming)
3) Nível analítico
4) Nível sintópico

O Nível Elementar consiste em aprender a decodificar símbolos gráficos em símbolos fonéticos. É a habilidade que adquirimos a partir do jardim de infância e desenvolvemos ao longo do ensino fundamental. Ele é a base da leitura, e dele não há muito que dizer.

O Nível Inspecional tem o objetivo de descobrir se um livro merece uma leitura mais detalhada. Nesse nível de leitura, aconselham Adler e Doren, não se deve ter medo de parecer superficial, pois é assim que devemos ler: superficialmente. Não devemos tentar entender cada palavra ou idéia. Um segunda leitura esclarecerá tudo. Não devemos gastar muito tempo. Ela deve ser rápida. Devemos seguir os seguintes passos:

1) Observar o título do livro e o prefácio
2) Estudar a tabela de conteúdo
3) Verificar o índice
4) Ler a publicação editorial
5) Dar uma olhada nos capítulos que parecem centrais ao argumento do livro
6) Ir folheando as páginas, dando uma “bicada” aqui e ali, lendo um parágrafo ou dois, às vezes várias páginas em sequência, não mais que isso.

Regra importante: Ao ler um livro difícil, nunca pare para entender o que você não entende imediatamente.

A leitura deve ser sempre ativa. Muitos têm a ideia de que a leitura é uma atividade “passiva”, isso é, que a leitura é “receber” informações. Nada mais longe da verdade. A leitura deve ser encarada como uma atividade “ativa”. É um diálogo, é conversar com o autor, fazer perguntas e buscar respostas.

O leitor, para ser exigente, deve fazer sempre as seguintes perguntas a qualquer livro:
1) Do que esse livro trata, no geral?
2) O que está sendo dito em detalhe, e como?
3) Esse livro é verdadeiro, no todo ou em parte?
4) Se sim, e agora? O que vem disso?

O leitor deve fazer também com que um livro seja sempre seu. Um livro não é nosso apenas se o compramos na livraria. Para fazer um livro ser seu, os seguintes passos devem ser observados:

1) Sublinhar
2) Fazer linhas verticais na margem
3) Fazer estrelas ou asteriscos nas margens
4) Fazer números nas margens (sequência de colocações do autor no argumento)
5) Números de outras páginas na margem (referência cruzada)
6) Circular palavras-chave ou frases
7) Escrever perguntas na margem

Nível Analítico.
1) Saiba que tipo de livro você está lendo, de preferência antes de começar a leitura
2) Sintetize a unidade de todo o livro em uma única frase, ou no máximo em algumas poucas (um pequeno parágrafo)
3) Identifique as partes principais do livro, e mostre como elas estão organizadas no todo, sendo ordenadas umas às outras entre si e à unidade no todo
4) Defina o(s) problema(s) que o autor está tentando resolver
5) Encontre as palavras importantes e tenha certeza de que você e o autor entendem a mesma coisa por elas
6) Marque as frases mais importantes em um livro e descubra as proposições que elas contêm (frases contêm proposições, não se esqueça disso)
7) Conheça os argumentos do autor, encontrando-os ou construindo-os através de sequências de frases
8) Determine quais problemas o autor resolveu e quais não, e para esses últimos, decida quais o autor sabia que falhou em resolvê-los
9) Você deve dizer, com razoável segurança, “Eu entendo”, antes que possa dizer coisas como: “Eu concordo”, “Eu discordo” ou “Eu suspendo julgamento”
10) Não discorde de forma contenciosa ou apenas por disputar
11) Demonstre que você reconhece a diferença entre conhecimento e mera opinião pessoal apresentando boas razões para qualquer julgamento crítico que fizer

12) Mostre onde o autor está desinformado

13) Mostre onde o autor está mal-informado
14) Mostre onde o autor está sendo ilógico
15) Mostre onde a análise do autor ou seu relato é incompleto.



Nível Sintópico, é o mais avançado nível da leitura. Nele o leitor vai firmar um acordo comum entre vários autores sobre um tema específico. É uma etapa fundamental para estudantes de nível superior, exige comparação e confronto de ideias e conceitos e, a partir disso, o leitor desenvolve uma análise que não está em nenhum dos livros lidos.

A Fronte coroada de espinhos

e os ligeiros barcos da Aônia Como vim a editar as Memórias de Além-Túmulo (em breve na Amazon e/ou aqui em nosso blog) Comecei por dois fra...