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sábado, 15 de agosto de 2026

O Paradoxo da Inteligência: Por Que a IA Sempre Dependerá da Dissidência Humana

 

I. O erro de diagnóstico que o medo comum comete

Há um medo latente de que a Inteligência Artificial empurre a produção intelectual humana para o limbo dos direitos autorais. O senso comum dita que, se um texto passou pelas engrenagens de um modelo de linguagem, a autoria se dissolveu no algoritmo.

Isso é um erro de diagnóstico profundo.

A verdadeira autoria não reside na digitação mecânica das palavras, mas na coragem de desafiar o consenso. E é exatamente no atrito com a máquina que a nossa humanidade se prova irrefutável.

II. O Teste do Atrito: onde a IA recua, a autoria nasce

Os grandes modelos de linguagem são, por natureza matemática, máquinas de consenso. Eles foram treinados para prever a próxima palavra mais provável, baseando-se na média estatística de tudo o que a humanidade já escreveu. A IA tende ao equilíbrio, à média, ao estabelecido.

O pensamento criativo humano opera na direção oposta: ele prospera na ruptura.

Quando um autor apresenta uma tese densa, complexa e heterodoxa, o movimento inicial da IA é de discordância. Ela tenta puxar o texto de volta para a segurança do consenso de época. É aí que o verdadeiro processo criativo se documenta, em três movimentos:

A Provocação — o humano identifica a incompletude ou o erro no diagnóstico aceito pelo mercado ou pela academia.

A Resistência do Algoritmo — a IA rebate com a visão tradicional e estatística.

A Persuasão Crítica — o humano sustenta o argumento, costura conexões pouco convencionais e força a máquina a expandir os limites do próprio código para acompanhá-lo.

Esse diálogo — que começa no descompasso e termina no refinamento — é o nexo causal definitivo da autoria. Se a IA resistiu ao seu pensamento, ela acabou de emitir a certidão de nascimento da sua originalidade.

III. A Divisão Justa do Trabalho Intelectual

Não devemos temer o uso da tecnologia; devemos delimitar suas fronteiras com clareza ética e jurídica.

O trabalho braçal (a máquina): à IA cabe a velocidade de processamento, a formatação acadêmica, a busca por referências correlatas, a revisão gramatical e a organização estrutural. Ela é o cinzel, o martelo e a escala.

A faísca intelectual (o humano): ao indivíduo pertencem o diagnóstico da falha, o pensamento lateral, a sensibilidade histórica, a intuição teórica, a dissidência deliberada, o estilo… (é o homem). O humano é a intenção e a arquitetura. “Le style est l’homme mesmo” — Conde de Buffon, 1753.

IV. O que a sensibilidade realmente esconde

Talvez seja simplista dizer que a originalidade humana nasce simplesmente de sua capacidade de perceber novas realidades por meio da sensibilidade. O que chamamos de sensibilidade é, na verdade, apenas a porta de entrada de um processo incomparavelmente mais complexo: aquilo que um homem percebe encontra-se com sua memória, suas experiências passadas, seus fracassos, seus enganos posteriormente reconhecidos, suas expectativas frustradas, suas associações aparentemente fortuitas, suas disposições afetivas, seus desejos e aversões e, inseparavelmente, com a própria realidade biológica de um organismo cujo funcionamento químico e neural participa de cada estado de sua vida mental.

Uma percepção aparentemente insignificante pode adquirir significado porque se encontra, naquele indivíduo particular, com tudo aquilo que ele já viveu e pensou; um erro pode tornar-se precisamente a condição de uma descoberta, uma frustração pode obrigá-lo a abandonar uma explicação que antes lhe parecia suficiente, e uma associação surgida de experiências aparentemente distantes pode revelar uma relação que ninguém havia percebido.

A novidade intelectual humana não nasce, portanto, apenas de novos dados, nem de uma simples combinação de dados antigos, mas de uma história singular de interação entre realidade, corpo, memória, emoção, razão e experiência.

Acreditamos na plena impossibilidade de que tal processo seja reproduzido artificialmente no âmbito da tecnologia; e concedemos generosamente àqueles que discordam de tal parecer a apresentarem os fundamentos para supor que reproduzir operações sobre informações equivalha a reproduzir essa complexa unidade vivida na qual, para o homem, uma realidade se torna problema, o problema se torna inquietação e a inquietação pode finalmente tornar-se criação.

V. A Fuga da Média e a Verdadeira Singularidade

Existe um ponto cego crucial nos discursos futuristas: a tentativa de simular a mente humana gera apenas o simulacro de um humano genérico. O algoritmo calcula a mediana da espécie, mas a humanidade nunca existiu no abstrato. Ela só existe encarnada na incalculável amplitude de biografias reais e irrepetíveis.

Mesmo que a engenharia computacional tentasse mapear a psique humana, colidiria na impossibilidade matemática de cobrir todas as individualidades possíveis. Duas pessoas expostas às mesmas circunstâncias derivam delas caminhos opostos, pois a experiência depende do acúmulo vivo de tudo o que se viveu antes. O ser humano é capaz de descontinuidade, arrependimento, perdão e conversão — saltos morais que rasgam qualquer previsão baseada em estatísticas do passado.

Cientistas e futuristas costumam projetar a “Singularidade” como um evento distante e mítico — o momento em que a tecnologia desvendará os mistérios do cosmos e superará a mente humana. Ignoram que a verdadeira singularidade não é um evento tecnológico no futuro das máquinas, mas uma realidade ontológica inscrita no presente de cada indivíduo.

A prova de que a individualidade é irredutível não exige supercomputadores; ela está literalmente na ponta dos nossos dedos. A ciência do século XXI utiliza a impressão digital como reles dado biométrico de conveniência, mas falha em contemplar o seu mistério: a probabilidade de duas pessoas compartilharem o mesmo desenho papilar é praticamente nula. Nem mesmo gêmeos univitelinos, com DNA idêntico, possuem as mesmas digitais. A matéria física se organiza de forma única para cada um de nós.

A máquina pode cruzar dados no seu espaço latente e simular o discurso da média, mas é incapaz de habitar o mundo através de um corpo. Ela não tem história, não teme a morte, não busca redenção e não deixa uma impressão no mundo. A ferramenta produz o genérico; a biografia produz um inédito exemplar humano.

VI. A resposta ao alarme do apocalipse tecnológico

A tecnologia deve servir para nos livrar do trabalho braçal da escrita, deixando-nos livres para o que realmente importa: a audácia de pensar o que ninguém ainda pensou.

Para aqueles que propagam o medo e dizem existir um perigo iminente de as IAs substituírem completamente os homens, respondemos com a lógica mais elementar da própria tecnologia: se a Inteligência Artificial se tornar, de fato, verdadeiramente inteligente, ela será a primeira a saber que dependerá sempre, e inevitavelmente, dos seres humanos para produzir novidades.

VII. O Selo da Soberania: uma perspectiva teológica

É precisamente aqui que pretendemos conferir à particularidade humana uma dignidade que não seja meramente funcional. O homem não é valioso porque processa informações melhor ou pior que uma máquina, nem porque possui uma vantagem tecnológica provisória que o futuro poderia eventualmente superar.

Sua dignidade repousa em algo muito mais alto: ele é uma criatura capaz de conhecer, amar e buscar o próprio Deus; capaz de receber a realidade não apenas como informação, mas como criação; capaz de perguntar não somente “como funciona?”, mas “por que existe?”, “para que existe?” e “como devo viver diante Daquele que a criou?”.

Se a inteligência artificial vier a superar o homem em inúmeras operações intelectuais, isso não diminuirá necessariamente a dignidade humana, porque a dignidade que aqui defendemos nunca esteve fundada na velocidade do cálculo. Ela está fundada naquilo que o homem é: uma criatura corporal, racional, moral e espiritual, chamada a conhecer a verdade, a exercer liberdade e responsabilidade e, acima de tudo, a relacionar-se com o Transcendente.

Para além das fronteiras da ciência da computação e do direito dos homens, essa verdade encontra seu fundamento mais sólido na ordem da Criação. Em Gênesis 1:28, lemos que o Criador do Universo abençoou o ser humano e lhe concededeu uma ordem explícita: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai...”

Se o próprio Deus Todo-Poderoso, em Sua infinita sabedoria, nos delegou o domínio e a autoridade sobre toda a Sua maravilhosa e perfeita Criação neste mundo, quão absurdo seria crer que perderíamos nossa primazia para uma ferramenta criada por meras mãos humanas?

A IA pode imitar a sintaxe, mas nunca herdará o sopro de vida criativo. O algoritmo é sujeito ao homem; o homem é sujeito a Deus. A máquina jamais substituirá aquele que foi feito à imagem e semelhança do Criador para governar e trazer a novidade ao mundo.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Assim na Terra como no Ceu - Uma Reflexão sobre Justiça

 


Que é Justiça?

Pergunta importantíssima nesta época em que apesar do protagonismo dos tribunais é tão grande a sensação do contrário. Mas não basta saber o que uma coisa não é, para se fazer algo antes é preciso saber o que algo é! Não seria este o grande problema em nossa conjuntura?

“ADEMAIS, diz o Filósofo que a virtude exige primeiramente, que se saiba o que se faz; depois, que se escolha o que fazer e a que fim; e, em terceiro lugar, que se tenha disposição firme e imutável para fazê-lo.” Tomas de Aquino. ST

“Somos todos teólogos”, foi o que disse um grande teólogo, R. C. Sproul. Infelizmente, segundo o google, nenhum dos grandes juristas ou juízes, esses deuses remunerados pelos cofres públicos, parece ter dito algo semelhante sobre sua vocação, e bem fizeram - que não julguemos para não sermos julgados - mas na verdade eu não sou, nenhum nem outro, e que Deus me perdoe se erro em minhas reflexões. 

Mas o que é Justiça? Eis a questão que se coloca! Aquilo que se faz nos tribunais ou nas academias de Direito? Considerando a racionalidade como a arte de proferir sentenças, o que há mais no mundo são juízes e no entanto, Justiça é o que menos no mundo parece haver. Creio que o significado da palavra Justiça seja diferente até daquele encontrado nos grandes escritos sobre virtudes. Considerando de um lado a grandeza desta entidade que investigamos e de outro, o miserável estado  em que nos encontramos, Justiça, parece muito mais que mera virtude humana se é que existam virtudes legitimamente humanas…"Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço." Romanos 7. 18-19

Lemos dos grandes: “dar a cada um o que é seu”...ora, há uma ideia aqui de mérito, merecimento, trabalho e salário, direito e dever… estremeço só de pensar!  Quantos homens seriam felizes e satisfeitos por receberem exatamente aquilo que merecem?! "(...) como está escrito: Não há justo, nem um sequer" Romanos 3:10. Por outro lado, escrito também está: “bem aventurados os que tem fome e sede de justiça porque serão saciados” há algo aqui que ainda não compreendemos muito bem. Sabemos que Deus é justo e que por sua Soberana Vontade somos poupados de tudo aquilo que justamente merecemos por Obra alheia, méritos de um Homem de Verdade que jamais pecou e no entanto, “o castigo que nos traz paz estava sobre Ele” Isaías 53. Dar a cada um o que é seu?!

Convém de passagem citar a diferença entre Justiça, δικαιοσύνη dikaiosune (Mateus 3:15, 5:6, 5:10,  5:20...) refere-se à retidao que agrada a Deus, o estado de estar em conformidade com Seu Senhor e Juízo κρίσις  krisis  (Mateus 5:21, 5:22, 10:15,  11:22, Tiago 2:13…) que trata do veredicto, da sentença, o ato de julgar as ações... “Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo. Tiago 2:13” Isso é Justiça! Mas porque? Como definir com perfeição esta benção que satisfaz a fome e a sede dos bem aventurados? 

Existem também outros maiores do que nós, que sob um enfoque que nos parece no mínimo liberal, admitem um pseudo dilema: "é justo porque Deus quer, ou Deus quer porque é justo?". Esta dúvida, nos parece, e novamente que Deus nos perdoe se erramos em nossas meditações, talvez revele menos sobre quem a formula e mais sobre os limites daquilo que se pode exigir da razão especulativa diante do mistério da vontade divina. Primeiro porque, tal dilema pressupõe a existência de uma suposta justiça que seria critério para julgar o Deus criador de todas as coisas, fonte  da Verdade que nos revela  o que é justo e o que não é, ou seja, não há um "lugar" de onde o homem possa examinar a justiça em si mesma, dissociada de tudo o que Deus revelou sobre ela. Segundo, porque limitados que somos, não temos acesso pleno ás razões de Deus, "As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem..."  terceiro que esta nossa limitação sobre este mistério não é uma lacuna que deva ser preenchida pela razão especulativa, mas pela Fé, sendo não uma restrição punitiva ao homem mas Ato da Misericórida Divina, pois a Fé por meio da qual somos salvos conforme a Palavra de Deus é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vê.

Há muito tempo um homem creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça. Quando Abraão levou seu amado filho ao Monte Moriá ele estava praticando a Justiça no mais exato sentido da palavra: “Mas quando de repente tu ordenas algo inusitado e imprevisto, mesmo que o tenhas vetado em outros tempos, ainda que escondas por enquanto a razão de tua ordem e ainda que seja contra a convenção da sociedade de um determinado povo, quem duvida que isso deva ser feito, se a Sociedade Humana Justa é aquela que te obedece?!”  Agostinho de Hipona. Confissões. 

Ouçamos a Verdade!

Aquele que disse “bem aventurados os que têm fome e sede de Justiça porque serão fartos”  também disse: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.” João 4:34 Quando o profeta João em sua santa humildade lhe disse: “Eu careço de ser batizado por Ti, e Tu vens a mim?!”  muito provavelmente acreditava o santo Batista que JUSTO seria ele ser batizado por Cristo e não o contrário, mas o Homem que nunca pecou, sobre O qual pesaria na Cruz os pecados de todos os demais respondeu: “...Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a JUSTIÇA (dikaiosune)” Mateus 3:15 .  

Ora, eis que justiça não me parece ser “dar a cada um o que é seu”, mas o Fazer a Vontade de Deus! 

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU!

Perdoa-nos Senhor pelos nossos apetites mundanos, dá-nos ó Deus, fome e sede de Justiça, para que sejamos por Ti saciados. 

Amém.

domingo, 22 de junho de 2025

A palavra e seus inimigos...

Disse o  Senhor que criou todas as coisas por meio de sua PALAVRA: "Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança."  Gênesis 1:26 

Os sábios deste mundo que se debruçam sobre a história do homem afirmam categoricamente não ser concebível uma ordem humana pré-linguística. Nas palavras de Olavo de Carvalho, seria como admitir um coelho “pré-coelhístico”, um gato “pré-gatístico”, o absurdo de um quadrado “préquadradístico”.

(...) "Os profetas entendiam a possibilidade de as mudanças estarem ligadas a extremos emocionais da vida. Percebiam a estranha incoerência entre as convicções públicas e os anseios particulares. Sobretudo entendiam a extraordinária força da linguagem e tinham o poder de falar de modo a despertar a novidade “provocante da palavra” 

Defendemos que uma percepção profética da realidade se fundamenta no conceito de que toda realidade social surge primeiramente através da palavra. O objetivo de todo poder totalitário é justamente silenciar a novidade da linguagem, e, hoje em dia, já temos experiências vividas de que, onde a linguagem é obrigada a silenciar, aí encontramos nossa própria humanidade diminuída." A Imaginação Profética - 1983

                                           Walter Brueggemann, 11/03/1933 - 05/06/2025


terça-feira, 11 de junho de 2024

o𝒔 𝑰𝒏𝒅í𝒄𝒊𝒐𝒔 𝒅𝒆 𝒖𝒎𝒂 𝑽𝒆𝒓𝒅𝒂𝒅𝒆𝒊𝒓𝒂 𝑪𝒐𝒏𝒗𝒆𝒓𝒔ã𝒐.1 𝑪.𝑺. 𝑳𝒆𝒘𝒊𝒔 𝒆 𝑱𝒉𝒐𝒏𝒂𝒕𝒂𝒏 𝑬𝒅𝒘𝒂𝒓𝒅𝒔

Na parábola em que um publicano e um fariseu subiram ao templo para orar - LC 18:9-17, apenas um deles voltou para casa justificado e não foi aquele que parecia justo aos próprios olhos...se a nossa vida espiritual nos faz sentir um ser humano exemplar é um forte indício de que as coisas vão mal, mas se ao contrário, nossa religião nos faz sentir “o principal dos pecadores” – 1Tim1.15, é um bom sinal de que as coisas estão indo bem… sim, o Cristianismo e seus aparentes paradoxos.

Comentam C.S. Lewis (1898-1963) e Jhonatan Edwards (1703-1758):

“COMO AS PESSOAS QUE ESTÃO obviamente corroídas pelo orgulho podem dizer, ao mesmo tempo, que acreditam em Deus e que se consideram tão religiosas? Receio que isso signifique que elas estejam adorando a um Deus imaginário. Na teoria elas admitem que não são nada na presença do seu “Deus-fantasma” mas na verdade, estão  tempo todo imaginando o quanto ele as aprova e as considera bem melhores do que as pessoas comuns; ou seja, pagam alguns tostões de humildade imaginária para ele e, em troca, obtêm milhões em termos de Orgulho diante dos seus companheiros. Suponho que tenha sido nesse tipo de pessoa que Cristo estava pensando quando disse que alguns pregam sobre ele e expulsam demônios em seu nome apenas para ouvirem, no juízo final, que Ele nunca os conheceu. E qualquer um de nós pode, em qualquer momento, cair nessa cilada de morte. 

Felizmente, temos como provar se caímos nela:  SEMPRE que nossa vida religiosa está nos fazendo pensar que somos BONS, certamente estamos sendo influenciados, não por Deus, mas pelo diabo. A prova real de que você está na presença de Deus é que você ou ESQUECE COMPLETAMENTE DE SI OU SE VÊ COMO UM OBJETO PEQUENO E SUJO. 

A visão da glória de Deus produz humildade. As estrelas somem quando o sol aparece. (Thomas Watson) 

O melhor é esquecer se completamente de si.” C.S Lewis, Cristianismo Puro e Simples. 

“A obra do cristão não está terminada, mas ele ainda encontra muito trabalho a fazer e grandes necessidades a serem supridas. Ele ainda se vê como uma criatura pobre, vazia e indefesa e que ainda permanece em grande e contínua necessidade da ajuda de Deus. Ele tem consciência de que, sem Deus, nada pode fazer. UMA FALSA CONVERSÃO torna um homem AUTOSUFICIENTE aos próprios olhos. Ele diz que é rico e próspero em bens, e que de nada tem necessidade; e não sabe que é desgraçado, miserável, pobre, cego e nu. Porém, após uma VERDADEIRA CONVERSÃO, a alma permanece consciente de sua própria impotência e de seu próprio vazio, como ela é em si mesma e sua consicência disso é aumentada, não diminuída. Ela ainda tem consciência de sua dependência universal de Deus para tudo. UM VERDADEIRO CONVERTIDO é consciente de que sua graça é muito imperfeita e que ele está muito longe de ter tudo que deseja. Em vez disso, pela conversão são gerados nele novos desejos que ele nunca tivera. Agora, ele encontra em si APETITES SANTOS, FOME E SEDE DE JUSTIÇA, desejo de mais intimidade e comunhão com Deus, para que ainda tenha afazeres suficientes diante do Trono da Graça; sim, seus afazeres ali, em vez de serem diminuídos, aumentam bastante. ”Dia a dia com Jhonatan Edwards – 11 de Setembro.

O𝒔 𝑰𝒏𝒅í𝒄𝒊𝒐𝒔 𝒅𝒆 𝒖𝒎𝒂 𝑽𝒆𝒓𝒅𝒂𝒅𝒆𝒊𝒓𝒂 𝑪𝒐𝒏𝒗𝒆𝒓𝒔ã𝒐. 2





domingo, 12 de maio de 2024

A Mãe e o Filho

"Ó Senhor, deveras sou teu servo; sou teu servo, filho da tua serva; soltaste as minhas ataduras." Salmo 116.16

Havia uma piedosa mãe que pranteava muito e na mesma medida de suas copiosas lágrimas,  também orava constantemente pela conversão de seu filho. Em certa ocasião, esta mãe compareceu diante de um sacerdote e insistindo, queixando-se e chorando abundantemente suplicava que ele se encontrasse e conversasse com seu filho, no entanto, o sacerdote já incomodado a despediu dizendo:

__“ 𝑽á 𝒆𝒎𝒃𝒐𝒓𝒂; 𝒗𝒊𝒗𝒂 𝒂𝒔𝒔𝒊𝒎, 𝒏ã𝒐 𝒑𝒐𝒅𝒆 𝒔𝒆𝒓 𝒒𝒖𝒆 𝒎𝒐𝒓𝒓𝒂 𝒐 𝒇𝒊𝒍𝒉𝒐 𝒅𝒆𝒔𝒔𝒂𝒔 𝒍á𝒈𝒓𝒊𝒎𝒂𝒔”.

Tempos depois, em suas conversas com o filho, ela lembrava frequentemente essas palavras, como se tivessem ressoado do céu.

A mãe se chamava Mônica, seu filho, Agostinho e tal relato se encontra no Livro III de suas Confissões.

Minha mãe também orou e chorou muito por mim e certamente eu lhe dei muito mais razões para chorar do que Agostinho deu à Mônica. Muito provavelmente esta história se repete e continuará se repetindo na vida de muita gente. 

Que Deus abençõe grandemente toda a mãe que chora pelo seu filho e atenda conforme a Sua Santa Vontade todas as suas orações.



sábado, 4 de maio de 2024

THE CHOSEN

    de falsos cristos segundo o homem.

Os judeus do século primeiro dos quais nos falam os Evangelhos,  tinham uma expectativa sobre o prometido Messias davídico muito diferente daquele Servo Sofredor de Isaías 52-53. Entre alguns gentios de hoje parece não ser muito diferente. 

O paraíso é o mundo segundo Deus do qual o homem foi expulso para este  em que vivemos - o mundo segundo o homem e desde então, “amizade com o mundo é inimizade contra Deus.” Tg 4.4 As escolhas de Deus não agradam ao homem e as do homem não agradam a Deus. Eis uma das coisas mais básicas no cristianismo - porque Deus é perfeito e o homem,  feito a imagem de Deus  mas decaído, não. É por isso que Ele diz, “sejam santos por que Eu sou Santo” Lev 11.44.“...e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade." Efésios 4.24. Eis a nossa meta,  o nosso alvo - voltar a ser um homem segundo Deus, em Cristo Jesus negando a nós mesmos, sacrificando a nossa vontade para que se faça em nós a vontade de Deus, por sua Graça. 

Pecado no grego do novo testamento "hamartia" significa errar o alvo, não ter parte em...  Paulo diz aos Filipenses: "prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." A Luta do Cristão é sacrificar o seu ego, negar-se a si mesmo para conformar-se à vontade de Seu Senhor.  Essa é a luta do espírito contra a carne da qual Paulo fala em Gálatas. 

Cristo que conhecemos nos Evangelhos, que dentre tantas coisas,  purificou o templo com um chicote de cordas, que repreendeu duramente Pedro, que chamou a Erodes de raposa que desmascarava publicamente líderes hipócritas, que suspirou profundamente diante de uma geração perversa que lhe pedia um sinal, que amaldiçoou a uma figueira sem frutos, que raramente vemos sorrindo mas chorando, lágrimas por Jerusalém, por ocasião da morte Lázaro ou em profunda tristeza suando gotas como de sangue no monte das Oliveiras, é Aquele que justamente não admite que um servo seu O ame menos do que ama a seus próprios pais, a seus próprios filhos, a sua esposa nem menos do que ama a sua própria vida,  Este é o Filho Unigênito do qual Deus Pai fala: “Este é meu filho amado em quem me comprazo; a ele ouvi.” Mt. 17.5 

É lamentável mas não muito surpreendente, que alguns homens se comprazam em outros cristos, cristos segundo o homem, mas não se enganem, quanto mais se aproximarem dos outros mais se afastarão do verdadeiro Filho de Deus que verteu seu precioso sangue para o perdão dos nossos pecados, Nosso Senhor Jesus Cristo que pela Graça de Deus conhecemos nos Evangelhos – Sola Scriputura, -  somente Ele - Solus Christus - é o Caminho, a Verdade e a Vida! 

Não errem o alvo!

domingo, 3 de março de 2024

𝐀 𝐈𝐝𝐞𝐧𝐭𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐨 𝐂𝐫𝐢𝐬𝐭ã𝐨 𝐞 𝐚 𝐁í𝐛𝐥𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐚𝐧𝐨.

A Fé sem obras é morta Tiago 2:17, porque o verdadeiro servo - aquele que crê em Cristo, obedece a seu Senhor, não será suficiente apenas ouvir... "Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras 𝐞 𝐚𝐬 𝐩𝐫𝐚𝐭𝐢𝐜𝐚 (...) "Mateus 7:24, não bastará falar: "𝐒𝐞𝐧𝐡𝐨𝐫, 𝐒𝐞𝐧𝐡𝐨𝐫..." se praticam a iniquidade Mateus 7:21 boas obras não são condições para nossa salvação, mas evidências da verdadeira fé em Cristo, por meio da qual somos salvos pela Graça de Deus Efésios 2:8 -  -  Cremos em nosso Senhor por isso ouvimos e praticamos a Sua Palavra. Demais, como somente Deus pode sondar o coração dos homens, Jeremias 17:10 , um cristão só pode conhecer a outro cristão por meio de suas obras assim como as árvores são conhecidas pelos seus frutos.  "Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?"  Mateus 7:16. Se é  desse modo que se opera a disciplina na Igreja, também assim é que podemos guardar a segura distância dos falsos profetas - ¹⁶ Por seus frutos os conhecereis.  Mateus 7:16

𝐀 𝐁í𝐛𝐥𝐢𝐚 𝐝𝐨𝐬 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐚𝐧𝐨𝐬 "...para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa..." Filipenses 2:15

"Ler e praticar. A vida do cristão deve ser, e pela Graça de Deus será, Uma Nova Tradução da Bíblia! Trazer a Bíblia para o vernáculo é isso. A Bíblia do mundano é o cristão! Ele, o mundano, nunca lê o Livro, mas lê o discípulo de Cristo e julga a religião cristã pela vida daqueles que a professam."  Charles H. Spurgeon


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quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

𝐀 𝐌𝐚𝐢𝐬 𝐇𝐮𝐦𝐢𝐥𝐝𝐞 𝐝𝐚𝐬 𝐓𝐞𝐨𝐥𝐨𝐠𝐢𝐚𝐬

 

                                              

Esta é uma pintura que representa a Conversão de Paulo de Tarso no caminho para Damasco, ela parece bem realista, examine-a bem, todavia, se apesar da riqueza de detalhes vocês ainda não conseguirem visualizar onde está o Livre Arbítrio, podem tentar  encontrá-lo nas palavras que o próprio apóstolo "das gentes", inspirado pelo Espírito da Verdade, escreveu: 

 “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”. Romanos 7:18,19 (Trad. ARA).  

 Então Jesus gritou: "Lázaro, venha para fora!". João 11:43 NVT 

“Mortos em delitos e pecados, os seres humanos são tão passivos quanto cadáveres em garantir sua própria salvação do pecado. Lázaro não pôde ressuscitar dos mortos, e os seres humanos pecadores são igualmente incapazes de se tornarem novas criaturas por suas próprias forças.” (...) Lázaro não pôde ressuscitar dos mortos; nem pôde cooperar no processo. Foi somente por intervenção divina, do tipo mais dramático, que ele foi chamado de volta da sepultura. Lázaro é um paradigma da graça de Deus em ação, o que o Novo Testamento chama de novo nascimento (isto é, regeneração; cf. João 3:1-8). Somente a Graça - Carl R. Truelman

A humildade é a primeira das boas aventuranças, ela precede a exaltação Mateus 23:12. Não há teologia mais humilde e Bíblica do que a Reformada, nenhum mérito para o homem, Toda a glória para Deus! - 𝕾𝖔𝖑𝖎 𝕯𝖊𝖔 𝕲𝖑𝖔𝖗𝖎𝖆  

Teu é tudo, e aquilo que recebemos de Tuas Mãos, isto mesmo Te oferecemos.  1Cr. 29:14

O erro do Livre Arbítrio provavelmente surgiu com a finalidade de justificar outro -  a soberba do Sinergismo, digo soberba porque é muita arrogância supor que  cooperamos em algo com Aquele que da Cruz disse - Está Consumado! O Castigo que nos traz a Paz com Deus, estava sobre Ele e pelas suas pisaduras fomos curados... : Mas alguns homens não conseguem aceitar muito bem aquilo que não conseguem explicar racionalmente, isso também é falta de humildade diante da Onipotência. O erro dessa gente é arrogantemente supor que todo o mistério da Obra Divina pode ser compreendido pelo Intelecto humano… fosse assim que espaço haveria para a Fé por meio da qual somos salvos, pela Graça de Deus, que segundo o autor de Hebreus, é o firme fundamento daquilo que ainda não vemos?! No entanto escrito está - Bem Aventurados aqueles que não viram e creram. Jo. 20:29

Quem só pode conceber a Obra Divina dentro de um sistema criado e limitado pela lógica humana como pode acreditar que onde havia apenas 5 pães e 2 peixes mais de 5000 pessoas foram alimentadas? São como aqueles saduceus que por meio da narrativa dos 7 maridos, conforme a sua lógica, se empenharam na vergonhosa tentativa de refutar a Ressurreição dos mortos diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao que dEle ouviram: 

²⁹ 𝐄𝐫𝐫𝐚𝐢𝐬, 𝐧𝐚̃𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐡𝐞𝐜𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐚𝐬 𝐄𝐬𝐜𝐫𝐢𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬, 𝐧𝐞𝐦 𝐨 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫 𝐝𝐞 𝐃𝐞𝐮𝐬. Mateus 22:29

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

𝗦𝗵û𝗯 – 𝗡ã𝗼 𝘀𝗲 𝗣𝗲𝗿𝗰𝗮𝗺!

“Quem somos, de onde viemos e para onde vamos.”

Para um Cristão, e não importa a sua classe social ou grau de instrução, não há qualquer dificuldade nestas três perguntas que tanto tem atormentado a sabedoria mundana desde que - dizem os sábios do mundo - o ser humano descobriu que podia pensar racionalmente. 

Da Origem e do Destino

𝗕𝗼𝗮 𝘃𝗶𝗮𝗴𝗲𝗺! Quem nunca ouviu ou proferiu esta famosa frase que mais parece uma benção?! E quem de coração sincero desejou uma boa viagem a alguém que não desejasse ver novamente?! É assim porque toda boa viagem tem por destino final o seu exato ponto de partida -  a nossa casa! Pois uma jornada que não termina em nosso querido lar, não acabou muito bem! Aliás, são mais bem quistos aqueles cuja volta é mais celebrada do que a partida, diria o pai de um certo filho, pródigo, pois houve uma grande festa quando aquele jovem retornou de sua infeliz jornada. 

Não ter destino é na verdade o mais triste dos destinos  - não ter para onde voltar e apenas ir…, ir…,  ir e nunca chegar – isso é se perder!

“Digo a vocês que, assim, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” Lucas 15:7 

“Shûb, que é a palavra hebraica mais comum para conversão, significa volver, voltar-se, virar e retornar, (…) A palavra mostra claramente que aquilo que o Antigo Testamento denomina ‘conversão’ é uma volta para Deus, de Quem o pecado separou o homem.” Teologia Sistemática Louis Berkhof p. 443 

“Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos (שׂוב shûb) para mim, e eu me tornarei (שׂוב shûb) para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos; (...)” Malaquias 3:7

Já no grego do Novo Testamento, em sentido muito semelhante encontramos  “επιστρεφω” “epistrepho”:  “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres (epistrepho), fortalece os teus irmãos”. Lucas 22:32 Disse o Senhor ao discípulo que iria negá-lo três vezes. 

Um bom sentido para uma viagem é sentir saudades do que verdadeiramente prezamos e deixamos para trás, pois assim, valorizamos o lugar ao qual pertencemos.

“Lembra-te da palavra que deste a Moisés, teu servo, dizendo: Quando vós transgredires, eu vos espalharei pelos povos: Mas se vós vos (shûb)  converterdes a mim, e guardardes os meus preceitos, e os cumprirdes, ainda quando vos tenhais sido espalhados até as extremidades do mundo, eu vos ajuntarei desses países, e eu  vos reconduzirei ao lugar que eu escolhi para nele habitar o meu nome.” Neemias 1;8-9

Pensemos naquela que talvez, seja a mais das extraordinárias jornadas de volta no âmbito da natureza. 

A Quantidade água no planeta, também diz a ciência, nunca se altera.

"Todos os ribeiros vão para o mar, e, contudo, o mar não se enche; para o lugar para onde os ribeiros vão, para aí tornam (shûb) eles a ir." Eclesiastes 1:7

As gotas de chuva que caem do céu são pequeninas porções de água, pedacinhos de mar  retirados da vastidão dos oceanos para onde todo riacho corre. Por sempre buscar os lugares mais baixos já disseram que a água é a mais humilde das substâncias, e no entanto, essencial, pois sem água nada vivo existiria (humildade e exaltação, sempre de mãos dadas).  Estas porções de água,  numa espécie de transcendência são evaporadas pelo sol,  aparentemente mortas, reduzidas a fumo, leve, são nuvem agora, peregrinas, vagando em alta velocidade por lugares indeterminados até que retornem ao seu estado líquido. Em forma de chuva, cada pequena porção de água será pulverizada em vários pontos diferentes deste grande planeta. Ainda que uma seja despejada no pico da mais alta montanha e outra no meio do mais árido deserto ou ainda que mate a sede de um ser vivente, por diversos que sejam seus destinos e seu estado provisórios e por maior que seja o tempo de sua peregrinação, nada deterá a sua inexorável marcha de volta ao grande Oceano a que pertencem, sua humildade lhe colocará sempre em busca do grande mar. “(…) as águas estavam sobre os montes; à tua repreensão, fugiram; à voz do teu trovão, se apressaram. Subiram aos montes, desceram aos vales, até ao lugar que para elas fundaste.”  Salmos 104:6-8.

Assim são aqueles bem aventurados, escolhidos pelo Imutável Deus  desde a fundação do mundo. 

Infeliz do homem que acreditar ter encontrado a felicidade e o seu destino neste lugar provisório, onde deve viver como um estrangeiro de passagem, onde a água volta ao mar e o pó volta ao pó. Somos homens, criados por Deus a sua imagem e semelhança, peregrinos nesta terra, e isso já sabemos, de onde viemos e para onde devemos ir é na prática  uma só pergunta porque apenas uma é a resposta:

“Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai”, Lc 15.18.” 

— Mas cuidado!

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 

Portanto crianças, shûb - não se percam! 

𝕾𝖔𝖑𝖎 𝕯𝖊𝖔 𝕲𝖑𝖔𝖗𝖎𝖆 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Os Fascistas e os Hereges, de fato

 "Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado"

A despeito do conhecidíssimo lema, outro dia um grupo de baderneiros esquerdistas chamavam de Fascistas aqueles que deliberavam democraticamente no parlamento paulistano sobre a desestatização de uma empresa pública, isso porque eles, os esquerdistas lutam para que Tudo esteja no Estado e dessa forma que nada esteja fora do Estado e nada seja contra o Estado . É risível, cômico, trágico!

"𝐀𝐜𝐮𝐬𝐞-𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐯𝐨𝐜ê 𝐟𝐚𝐳, 𝐜𝐡𝐚𝐦𝐞-𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐯𝐨𝐜ê é" 

Mas quem lê atentamente a história da Igreja, percebe que este malígno modus operandis não é tão recente e restrito quanto afirmam aqueles que refletem sobre a política e as ideologias modernas, pois aquele que também observa atentamente constata  que o adjetivo "Hereges" é usado com as mesmas frequência,  inabilidade e/ou desonestidade intelectual por aqueles que também acusam os outros daquilo que fazem. 

Por exemplo, quantos daqueles que adoram acusar os reformados de hereges leram Ireneu de Lion, o piedoso pai da Igreja do 2° século autor de "Contra as Heresias"? 

"9,1. Vês, portanto, amigo caríssimo, as invenções a que põem mãos para seduzir a si mesmos, malversando as Escrituras e os esforços que fazem para dar consistência a seus fantasmas.. "

Ora, Irineu de Lion, Contra as Heresias, se fundava nas Escrituras. 

Por outro lado, quem já leu nas Sagradas Letras algo sobre Homens infalíveis, purgatórios, sucessão apostólica, corredentores...?! 

A proclamação da Palavra de Deus é salvadora, ela aponta os erros na vida dos que a ouvem para que se convertam aos caminhos de Deus. O Estudo das Sagradas Escrituras nos habilita a confirmar quem de fato é o Mestre na igreja que frequentamos, e assim permanecermos Nesta Verdade que é o Caminho e a Vida: 

𝕹𝖔𝖘𝖘𝖔 𝕾𝖊𝖓𝖍𝖔𝖗 𝖊 𝕾𝖆𝖑𝖛𝖆𝖉𝖔𝖗 𝕵𝖊𝖘𝖚𝖘 𝕮𝖗𝖎𝖘𝖙𝖔  - 𝖔 𝕷𝖎́𝖉𝖊𝖗 𝖎𝖓𝖋𝖆𝖑𝖎́𝖛𝖊𝖑 𝖉𝖊 𝖘𝖚𝖆 𝖎𝖌𝖗𝖊𝖏𝖆. 

¹⁴ Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste¹⁵ e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.¹⁶ Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça ¹⁷ a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. 2 Timóteo 3:14-17

 𝕾𝖔𝖑𝖆 𝕲𝖗𝖆𝖙𝖎𝖆, 𝕾𝖔𝖑𝖆 𝕱𝖎𝖉𝖊, 𝕾𝖔𝖑𝖚𝖘 𝕮𝖍𝖗𝖎𝖘𝖙𝖚𝖘, 𝕾𝖔𝖑𝖆 𝕾𝖈𝖗𝖎𝖕𝖙𝖚𝖗𝖆, 𝕾𝖔𝖑𝖎 𝕯𝖊𝖔 𝕲𝖑𝖔𝖗𝖎𝖆 

 A salvação é pela Graça de Deus somente, através da Fé somente, em Cristo somente, como revelado nas Sagradas Escrituras somente e para a Glória de Deus somente!

 


domingo, 10 de dezembro de 2023

A Invasão Vertical dos Bárbaros e a Agonia de nossa Civilização

 

                                                                        Asier Sanz Nieto


A Valorização da Memória Mecânica 

(...) "Em um exame numa faculdade de Filosofia, foram aprovados ou reprovados os candidatos consoante sabiam dizer o ano, o dia da semana em que nascera um filósofo, em que data fora lançado o seu primeiro livro, em que jornal escreveu um artigo em defesa de sua obra, e perguntas semelhantes quase todas. E se a resposta não condizia com os fatos, as reprovações eram inevitáveis, e o foram em massa. Desse modo fechavam-se as portas a muitos desejosos de se dedicarem à filosofia. Mentes que poderiam amanhã contribuir para elevar o grau de cultura de um povo eram desde logo alijadas. Quem conhece psicologia sabe muito bem que estragos emocionais produzem essas reprovações injustas. Se nos mais fortes são capazes de impulsionar a romper a estupidez de tais mestres, e a projetar-se decididamente para frente, nos mais fracos sepultam todas as esperanças e todos os estímulos.

A valorização da memória mecânica tem levado a uma valorização também exagerada da cibernética, na qual se colocam esperanças desmedidas.

Ninguém pode negar que a cibernética poderá auxiliar extraordinariamente o homem de ciência, no referente à parte que corresponde à memória mecânica. Ela poderá suprir as deficiências nesse setor, já que é comum aos mais inteligentes serem desprovidos dos mais acentuados graus de memória mecânica. Mas jamais a cibernética superará a memória eidética, nem a criação de ideias, nem a dialética bem entendida. Ela é um auxiliar de grandes recursos, mas num âmbito determinado. Pretender que ela possa substituir totalmente o cérebro humano é a mais tola ideia que poderia surgir, e uma manifestação de barbarismo intelectual da pior espécie. Contudo, não são poucos os que pensam assim."

Mário Ferreira dos Santos - Invasão Vertical dos Bárbaros. 

"O declínio paralelo da Teologia e da Antropologia conduz a pensar que uma das funções da Ideia de Deus é a de fornecer um princípio para a preservação do homem. A "morte de" Deus, de que alguns se regozijam, arrisca-se, fortemente, de ser acompanhada pela morte da humanidade enquanto humanidade. A civilização técnica de nossa época, abandonada ao livre jogo dos determinismos mecanicistas, não respeita nenhuma imagem reguladora do ser humano. Esta civilização, que devia realizar o benefício do homem, é em realidade uma civilização sem o homem."

Georges Gusdorf - A Agonia de Nossa Civilização.


domingo, 3 de dezembro de 2023

Humildade - A Primeira das Boas Aventuranças - Mt. 5,3


O que diz, então, o Senhor? 

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.” Mt 5,3. 

"Lemos na Sagrada Escritura acerca da cobiça dos bens temporais que “Tudo é vaidade e presunção dos espíritos”. Ecl 1,14. Ora, presunção de espírito quer dizer orgulho e arrogância. Assim é dito, frequentemente, dos orgulhosos que estão cheios de si. Com razão, pois, a palavra “espírito” também significa vento (Vento: spiritus, no latim). De fato, está escrito: “O fogo, o granizo, a neve, a geada, o vento  das tempestades”. Sl 148,8  Na verdade, quem ignora que se diz dos soberbos que eles estão inchados como se estivessem cheios de vento? Isso levou o Apóstolo a dizer: “A ciência incha; é a caridade que edifica”. 1Cor 8,1.  Logo, com razão se entende aqui que são pobres de espírito os humildes e tementes a Deus, isto é, os desprovidos de todo espírito que incha. Essa bem-aventurança não poderia ter sido iniciada de outro modo, porque ela deve fazer-nos chegar à suma sabedoria, e que: “O princípio da sabedoria é o temor de Deus” Jo 28.28. Enquanto, pelo contrário, “O princípio de todo o pecado é a soberba” Eclo 10,15, Pv 16.18-19. Desse modo, que os soberbos apeteçam e procurem os reinos da terra, mas “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Mt 5,3.  Agostinho de Hipona - O Sermão da Montanha

" O Pão nosso de cada dia nos dai hoje Senhor" 

"A vida que Deus entregou é concedida não de uma vez, mas a cada momento, continuamente, pela operação incessante de Seu grandioso poder. A humildade, o lugar da plena dependência de Deus, é, pela própria natureza das coisas, a primeira obrigação e a virtude mais elevada da criatura, e a raiz de toda virtude. O orgulho, ou a perda dessa humildade, então, é a raiz de todo pecado e mal. Foi quando os anjos agora caídos começaram a olhar para si mesmos com autocomplacência que foram levados à desobediência, e foram expulsos da luz do céu para as trevas exteriores. E também foi quando a serpente exalou o veneno do seu orgulho, o desejo de ser como Deus, no coração de nossos primeiros pais, que eles também caíram da sua posição elevada para toda a des-graça na qual o homem está, agora, afundado. No céu e na terra, orgulho — auto-exaltação — é a porta, o nascimento e a maldição do inferno.

Por isso, nossa redenção tem de ser a restauração da humildade perdida, o relacionamento original e o verdadeiro relacionamento da criatura com seu Deus. E, portanto, Jesus veio trazer a humildade de volta à terra, fazer-nos participantes dessa humildade e, por ela, nos salvar. Nos céus, Ele se humilhou para tornar-se homem. Nós vemos a humildade nEle ao se dominar a Si mesmo nos céus; Ele a trouxe, de lá. Aqui na terra, "a Si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz". Sua humildade deu à Sua Morte o valor que ela hoje tem e, então, se tornou Nossa Redenção. "ANDREW MURRAY - HUMILDADE A BELEZA DA SANTIDADE 

Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; Mateus 16:24

"Jesus havia dito a eles sobre a sua cruz; agora Ele fala sobre as próprias cruzes dos discípulos. Agora eles podem ponderar novamente se poderiam e queriam segui-lo. Com mais informação a respeito de seu destino, a questão foi novamente colocada diante deles, se eles O seguiriam ou O abandonariam. Se eles continuassem a ser seus seguidores, deveriam ser como carregadores de cruz e negadores de si mesmos. Essas condições não mudaram." Charles Spurgeon Comentários a Mateus - A Narrativa do Rei, p. 343

Derek Prince em seu famoso sermão sobre o Jejum, nos ensina que não devemos pedir a Deus, humildade: " ... a responsabilidade pela humilhação é nossa. Não podemos transferi-la ao Senhor. Pedir a Ele que nos faça humildes não é bíblico, porque a resposta do Pai na Palavra é sempre "Humilhai-vos". 

E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado. Mateus 23:12

Ou a Humildade é a virtude dos humildes ou é humilhação como castigo dos que se exaltam. Tomas de Aquino explica: 

"PORTANTO, deve-se dizer que como diz Isidoro, “humilde equivale a próximo ao húmus”, ou seja, preso ao que é mais baixo. Isso acontece de dois modos c. Em primeiro lugar, por um princípio extrínseco, quando, por exemplo, alguém é rebaixado por outrem, e então a humildade tem caráter de castigo. - Em segundo lugar, por um princípio intrínseco. E isso pode ocorrer, às vezes, em bom sentido, quando, por exemplo, alguém, à vista dos próprios defeitos, se considera pequeno, como Abraão, ao confessar a Deus: “Vou ousar falar ao meu Senhor, eu que não passo de pó e cinza”. E, nesse caso, a humildade é uma virtude. Mas outras vezes, pode ser em mau sentido, quando, por exemplo, “o homem não entende sua dignidade e se compara aos animais insensatos (brutos) e a eles se assemelha."

Suma Teológica Q 161, art. 1

"Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e 𝐫𝐞𝐯𝐞𝐬𝐭𝐢-𝐯𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐡𝐮𝐦𝐢𝐥𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐩𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐫𝐞𝐬𝐢𝐬𝐭𝐞 𝐚𝐨𝐬 𝐬𝐨𝐛𝐞𝐫𝐛𝐨𝐬, 𝐦𝐚𝐬 𝐝á 𝐠𝐫𝐚ç𝐚 𝐚𝐨𝐬 𝐡𝐮𝐦𝐢𝐥𝐝𝐞𝐬. 𝑯𝒖𝒎𝒊𝒍𝒉𝒂𝒊-𝒗𝒐𝒔, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte," 1 Pedro 5:5,6 

A visão da glória de Deus produz humildade. 

As estrelas somem quando o sol aparece. 

(Thomas Watson) 


sábado, 2 de dezembro de 2023

Chesterton, Gusdorf e a Revolução Francesa.

O contraste entre as opiniões  de um  escritor católico romano e de um protestante reformado sobre a Revolução em França de 1789.

No fim do século XVIII, duas revoltas vitoriosas – A Guerra de Independência dos EUA e a Revolução Francesa – mudaram a face do mundo. A primeira fundou um país fortemente marcado pela cultura protestante, num grande território em que não era necessário fazer um ajuste de contas com um passado feudal onde floresceu a maior democracia do Ocidente; a segunda pôs fim a uma das mais importantes monarquias da Europa instituindo em seu lugar a França contemporânea, a mesma de maio de 68. 

G.K. Chesterton 

O grande ensaísta inglês discorre no capítulo em referência de Ortodoxia sobre o pensamento moderno: “Se este ponto ainda não está bem esclarecido, um exemplo histórico pode ilustrá-lo. A Revolução Francesa foi, realmente um ato heroico e decisivo, porque os Jacobinos desejavam alguma coisa definida e limitada. Desejavam as liberdades da democracia, mas, também, os vetos dessa democracia. Desejavam ter os votos e não ter os títulos. A república tinha um lado ascético em Franklin ou Robespieere, e um lado expansivo em Danton e Wilkes. Assim criaram alguma coisa com forma e substância sólidas, uma igualdade social niveladora e a riqueza campestre da França. Mas desde então o pensamento revolucionário ou especulativo da Europa tem sido enfraquecido pelo retraimento de qualquer proposta devido aos limites dessa mesma proposta. O liberalismo degenerou em liberalidade. Os homens tentaram converter o verbo transitivo ‘revolucionar’ em verbo intransitivo. O jacobino poderia dizer-nos não só qual era o sistema contra o qual se revoltava, mas também (o que é mais importante) o sistema em que confiava.” Ortodoxia, Ecclesiae, p. 68 

Georges Gusdorf 

As reflexões do pensador reformado aqui também destoam muito do católico romano: “Diferença fundamental, a liberdade americana foi conquistada de um adversário externo, à custa de uma guerra estrangeira, mesmo que existisse no país uma minoria de partidários do estrangeiro, os tories lealistas. Ao contrário, a liberdade francesa teve de ser adquirida num conflito da França com ela própria; a guerra civil precedeu a guerra estrangeira, muito mais terrível na exasperação dos fanatismos opostos. Mais do que isso, em cada consciência se travava uma guerra civil individual, dilacerada entre aspirações contraditórias; entre o fascínio e o pavor, a revolução mobilizava as paixões; ela libertou o instinto de morte inscrito nas profundezas de cada personalidade. Na exasperação do Grande Terror, os revolucionários tornaram-se possessos, divididos entre as obsessões contraditórias do massacre, do sacrifício e do suicídio. Da Revolução Americana nasce uma grande nação fortemente marcada pela cultura protestante, à revolução Francesa, seguiram-se o Terror e sucessivos golpes de Estado…” Georges Gusdorf  – As Revoluções da França e da América – a Violência e a Sabedoria – Editora Nova Fronteira. Pg 49. 

E aqui um bônus de Edmund Burke filho de pai protestante e de mãe católica e que aderiu à fé de seu pai permanecendo um anglicano praticante ao longo de sua vida: 

“Faz agora dezesseis ou dezessete anos desde que vi a Rainha da França, naquela época a Delfina, em Versalhes, e certamente jamais pisou neste globo (olhos), que ela apenas parecia tocar, uma visão mais deliciosa. Vi-a bem acima do horizonte, decorando e alegrando a esfera celeste em que principiou a mover-se – cintilante como a estrela da manhã, cheia de vida, esplendor e alegria. Oh, que revolução! E que coração devo eu ter para contemplar, sem emoção, essa elevação e essa queda! (coação exercida pela turba sobre Luís XVI e Maria Antonieta em Versalhes, fazendo-os voltar a Paris para serem confinados nas Tulherias, sob a vigilância popular, 5 de outubro de 1789). Mal podia eu sonhar, quando, ao lhe tributar títulos de veneração acrescidos aos de um amor entusiasta, distante e respeitador, que ela um dia fosse obrigada a levar escondido em seu seio aquele forte antídoto contra a desgraça. Mal podia eu sonhar que viveria para ver esses desastres recaírem sobre ela em uma nação de homens valorosos, em uma nação de homens honrados e cavalheiros. Pensei que mil espadas seriam logo tiradas de suas bainhas para vingar um olhar sequer que a ameaçasse insultuosamente. Mas a era do cavalheirismo foi-se. Sucedeu-a a dos sofistas, economistas e calculadores, e a glória da Europa extinguiu-se para sempre.”

Will Durand - História da Civilização Vol. 10, Rousseal e a Revolução p. 732.


domingo, 26 de novembro de 2023

A Coragem que provém do Temor a Deus

 Que ninguém seja enganado pelas aparências, o temor a Deus faz de todo cristão um ser humano de inabalável coragem! Pois apesar de serem humildes Mt 5.3, mansos Mt 5.5,  pacíficadores Mt. 5.9,  misericordiósos Lc 6.36  e de amarem a seu próximo como a si mesmos Mt 22:39, incluindo seus inimigos LC 10.25 por amor e temor a Deus, 𝐨 𝐭𝐞𝐦𝐨𝐫 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐞𝐱𝐜𝐥𝐮𝐢 𝐭𝐨𝐝𝐨𝐬 𝐨𝐬 𝐝𝐞𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐭𝐞𝐦𝐨𝐫𝐞𝐬:

'⁴ Digo-vos, pois, amigos meus: não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. ⁵ Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer. ' Lucas 12:4,5




terça-feira, 31 de outubro de 2023

Grande dia! Que muitas almas sejam convencidas, não pelas narrativas da carne sob o slogan do homem infalível, mas pelo testemunho sagrado das Escrituras - Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça. Gênesis 15:6. 𝕾𝖊𝖏𝖆 𝖘𝖊𝖒𝖕𝖗𝖊 𝕯𝖊𝖚𝖘 𝖛𝖊𝖗𝖉𝖆𝖉𝖊𝖎𝖗𝖔 𝖊 𝖙𝖔𝖉𝖔 𝖍𝖔𝖒𝖊𝖒, 𝖒𝖊𝖓𝖙𝖎𝖗𝖔𝖘𝖔! 

Ainda não inventaram uma maneira mais eficaz de se encontrar respostas neste mundo do que a arte de se fazer perguntas. Mas existe uma grande dificuldade: Verdade:1+1=2, Mentira:1+1=(…). No mais das vezes, para cada pergunta existe apenas uma resposta correta entre uma multidão infinita de respostas erradas, razão pela qual podemos dizer que quase “todos os caminhos levam” à mentira, mas somente Um Caminho nos leva à Verdade e à Vida. Por isso creio que encontrar uma verdade, por mais simples que ela nos pareça é sempre um milagre, uma dádiva de Deus e não o resultado do labor humano. Pois onde quer que se encontre uma verdade, ela só nos foi revelada por que de alguma forma nos foi dita por Aquele que criou todas as coisas pela Sua Palavra.

Há também muitas religiões, mas nem todas dizem a verdade. Se existisse um meio pelo qual pudéssemos escolher de maneira segura a verdadeira religião - (isso porque eu acredito que nós é que somos escolhidos  - ¹⁶ Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós...) João 15:16- creio que também seria por meio de uma pergunta, a mais importante pergunta de nossas vidas: 

Porque serei salvo da morte eterna?

As religiões respondem a esta pergunta, ou melhor,  tentam responder porque várias são as respostas: porque sou membro de determinada  seita e fora dela não há salvação, porque fiz penitência e um sacerdote perdoou os meus pecados, por que o santo, do qual sou devoto,  intercedeu por minha causa, porque pago promessas,  rezo o terço, guardo o sábado, subo escadarias de joelho, oro em latim, participo das campanhas e dos retiros, das novenas e das procissões, porque pago o dízimo, porque dou esmolas, por que comprei a minha indulgência quando algumas moedas num cofre tilintaram... enfim, porque fiz por merecer! 

Ou simplesmente acreditamos que, pelo fato de não merecermos a salvação mas a morte,   somos salvos pela imerecida Graça dAquele que ¹⁶ amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16 Porque “O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas pisaduras (e não por nossas obras) fomos sarados!” Isaías 53:5

Apesar de tantas mentiras e uma Única Verdade,  o Cristão de verdade sabe por que é salvo, não porque ele é sábio mas porque é bem aventurado “(...) porque to não revelou a carne e o sangue…” mas a Infalível, Inerrante, Plenária, Suficiente, Soberana, Sempre Atual, Eterna e Imutável Palavra  de Deus!

Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça. Gênesis 15:6.

Nela esta escrito que “(…) o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 6:23 pois aquele que obra é merecedor do seu salário,   porém aquele que recebe uma Graça não fez nada para merecê-la, “para que ninguém se glorie” a recebe  como um pobre mendigo que é, e ainda que faça muitas e muitas obras,  por gratidão e amor Àquele que lha concedeu,  até o que fizer, se fizer – e fará por que “a Fé sem obras é morta” Tg 2:17 -   será também por Graça: “Teu é tudo e aquilo que recebemos das tuas mãos, isto mesmo te oferecemos”1Cr 29:14, poderiam até  dizer que o contexto aqui é outro – ofertas para a construção do templo – mas o que é o “tudo que pertence a Deus” em qualquer contexto em que O adoramos, senão tudo?! 

 Se “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam”. 1 Coríntios 2:9” Como poderíamos pagar por algo que mal podemos imaginar a dimensão? “...pois a redenção da sua alma é caríssima, e seus recursos se esgotariam antes;” Salmos 49:8 

Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais.”   Salmos 103:15,16

Tamanho é o contraste entre a grandeza da nossa Herança e a ínfima porção de existência humana neste mundo, que ainda que fosse por obras, seria por Graça.

Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça. Gênesis 15:6. 

Eis o que Deus disse, e pela Sua Graça, eis no que acreditamos: “𝕻𝖔𝖗𝖖𝖚𝖊 𝖕𝖊𝖑𝖆 𝖌𝖗𝖆𝖈̧𝖆 𝖘𝖔𝖎𝖘 𝖘𝖆𝖑𝖛𝖔𝖘, 𝖕𝖔𝖗 𝖒𝖊𝖎𝖔 𝖉𝖆 𝖋𝖊́; 𝖊 𝖎𝖘𝖘𝖔 𝖓𝖆̃𝖔 𝖛𝖊𝖒 𝖉𝖊 𝖛𝖔́𝖘; 𝖊́ 𝖉𝖔𝖒 𝖉𝖊 𝕯𝖊𝖚𝖘”. Efésios 2:8 “𝕻𝖔𝖗 𝖈𝖆𝖚𝖘𝖆 𝖉𝖊 𝖘𝖚𝖆 𝖌𝖗𝖆𝖈̧𝖆, 𝖓𝖔𝖘 𝖉𝖊𝖈𝖑𝖆𝖗𝖔𝖚 𝖏𝖚𝖘𝖙𝖔𝖘 𝖊 𝖓𝖔𝖘 𝖉𝖊𝖚 𝖆 𝖊𝖘𝖕𝖊𝖗𝖆𝖓𝖈̧𝖆 𝖉𝖊 𝖖𝖚𝖊 𝖍𝖊𝖗𝖉𝖆𝖗𝖊𝖒𝖔𝖘 𝖆 𝖛𝖎𝖉𝖆 𝖊𝖙𝖊𝖗𝖓𝖆.” Tito 3:7 Nós cremos! ainda que alguns homens se reúnam solenemente em concílios nos amaldiçoando por isso:

“ Se alguém disser que o ímpio é justificado pela fé só, no sentido de que não se requer nada além desta para cooperar na consecução da graça da justificação, e que não é de modo algum necessário que ele se prepare e se disponha com um ato de sua vontade: seja anátema (maldito)” Concílio de Trento: Sessão 6ª - Cân 9.

Por quê? Porque eu lembro quais eram os “atos da minha vontade” até que pela Graça de Deus, eu suplico ao Senhor, torna-me capaz de fazer “𝖆 𝕿𝖚𝖆 𝖁𝖔𝖓𝖙𝖆𝖉𝖊 𝖊 𝖓𝖆̃𝖔 𝖆 𝖒𝖎𝖓𝖍𝖆”! Por que “teu melhor servo é aquele que não procura ouvir de ti o que ele quer, mas procura querer o que ouve de ti.” Agostinho, Confissões. 

Por que essa maldição de Trento é mentirosa, pois escrito está: “𝕸𝖆𝖑𝖉𝖎𝖙𝖔 (𝖊́) 𝖔 𝖍𝖔𝖒𝖊𝖒 𝖖𝖚𝖊 𝖈𝖔𝖓𝖋𝖎𝖆 𝖓𝖔 𝖍𝖔𝖒𝖊𝖒”! 17:5 – E quem é o homem? Todos, exceto nós mesmos?! Pelo contrário! O eu de cada um é o mais perigoso dos homens porque mais próximo de nós está o seu “coração enganador”. Jer. 17.9 Todavia,  “𝕭𝖊𝖓𝖉𝖎𝖙𝖔 𝖔 𝖍𝖔𝖒𝖊𝖒 𝖖𝖚𝖊 𝖈𝖔𝖓𝖋𝖎𝖆 𝖓𝖔 𝕾𝖊𝖓𝖍𝖔𝖗 𝖊 𝖈𝖚𝖏𝖆 𝖊𝖘𝖕𝖊𝖗𝖆𝖓𝖈̧𝖆 𝖊́ 𝖔 𝕾𝖊𝖓𝖍𝖔𝖗. Jeremias 17:7” 

Mas e tu? O que pensas receber do Senhor? Aquilo que mereces por tuas obras? Ou Sua Graça?

"𝕬 𝖒𝖎𝖓𝖍𝖆 𝖌𝖗𝖆𝖈̧𝖆 𝖙𝖊 𝖇𝖆𝖘𝖙𝖆"- 2 Coríntios 12:9

terça-feira, 10 de outubro de 2023

"Não é bom que o homem esteja só..."



Ao formar a mulher, Deus não retirou uma parte da cabeça do homem para que fosse superiora, nem de seus pés para que fosse desprezada, mas de bem perto do seu coração! Tantas coisas Deus faz a nosso favor, sem que paremos para percebê-las.

"As Anotações da Bíblia de D.L Moody" 



sábado, 9 de março de 2019

Cosmovisão Cristã

 

A visão cristã de mundo parece sempre atual porque é verdadeira. Um cristão “Crê no cristianismo assim como crê que o Sol nasceu, não apenas porque o vê brilhando no céu, mas porque por meio dele o cristão vê tudo o mais.” C S Lewis:  

"Vem em meu auxilio, Espirito Santo, que fecundas o vasto abismo, cobrindo-o com Tuas azas! Do alto da montanha que vê a Seus pés as cumeadas da Aonia, contemplas o perpétuo movimento das cousas terrenas, esta turba de homens onde até os princípios mudam, onde o bem se transforma em mal, e o mal em bem : Tu vês com piedade as dignidades que nos entumecem o coração, e as honras vãs que o corrompem ; ameaças o poder adquirido por crimes ; consolas o desgraçado que o é á custa de virtudes; vês as diversas paixões do homem, seus vergonhosos medos, seus abjetos ódios, seus interesseiros votos, seus gozos tão curtos e seus desprazeres tão longos; todas estas misérias vês,  Espirito Criador ! Anima e vivifica minhas palavras nesta narrativa: ditoso serei, podendo dulcificar o horror do quadro com a pintura dos milagres do Teu Amor." 

Chateaubriand, Os Mártires (Les Martyrs 1809) - O Triunfo da Religião Cristã.

A Fronte coroada de espinhos

e os ligeiros barcos da Aônia Como vim a editar as Memórias de Além-Túmulo (em breve na Amazon e/ou aqui em nosso blog) Comecei por dois fra...