quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

𝐀 𝐌𝐚𝐢𝐬 𝐇𝐮𝐦𝐢𝐥𝐝𝐞 𝐝𝐚𝐬 𝐓𝐞𝐨𝐥𝐨𝐠𝐢𝐚𝐬

 

                                              

Esta é uma pintura que representa a Conversão de Paulo de Tarso no caminho para Damasco, ela parece bem realista, examine-a bem, todavia, se apesar da riqueza de detalhes vocês ainda não conseguirem visualizar onde está o Livre Arbítrio, podem tentar  encontrá-lo nas palavras que o próprio apóstolo "das gentes", inspirado pelo Espírito da Verdade, escreveu: 

 “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”. Romanos 7:18,19 (Trad. ARA).  

 Então Jesus gritou: "Lázaro, venha para fora!". João 11:43 NVT 

“Mortos em delitos e pecados, os seres humanos são tão passivos quanto cadáveres em garantir sua própria salvação do pecado. Lázaro não pôde ressuscitar dos mortos, e os seres humanos pecadores são igualmente incapazes de se tornarem novas criaturas por suas próprias forças.” (...) Lázaro não pôde ressuscitar dos mortos; nem pôde cooperar no processo. Foi somente por intervenção divina, do tipo mais dramático, que ele foi chamado de volta da sepultura. Lázaro é um paradigma da graça de Deus em ação, o que o Novo Testamento chama de novo nascimento (isto é, regeneração; cf. João 3:1-8). Somente a Graça - Carl R. Truelman

A humildade é a primeira das boas aventuranças, ela precede a exaltação Mateus 23:12. Não há teologia mais humilde e Bíblica do que a Reformada, nenhum mérito para o homem, Toda a glória para Deus! - 𝕾𝖔𝖑𝖎 𝕯𝖊𝖔 𝕲𝖑𝖔𝖗𝖎𝖆  

Teu é tudo, e aquilo que recebemos de Tuas Mãos, isto mesmo Te oferecemos.  1Cr. 29:14

O erro do Livre Arbítrio provavelmente surgiu com a finalidade de justificar outro -  a soberba do Sinergismo, digo soberba porque é muita arrogância supor que  cooperamos em algo com Aquele que da Cruz disse - Está Consumado! O Castigo que nos traz a Paz com Deus, estava sobre Ele e pelas suas pisaduras fomos curados... : Mas alguns homens não conseguem aceitar muito bem aquilo que não conseguem explicar racionalmente, isso também é falta de humildade diante da Onipotência. O erro dessa gente é arrogantemente supor que todo o mistério da Obra Divina pode ser compreendido pelo Intelecto humano… fosse assim que espaço haveria para a Fé por meio da qual somos salvos, pela Graça de Deus, que segundo o autor de Hebreus, é o firme fundamento daquilo que ainda não vemos?! No entanto escrito está - Bem Aventurados aqueles que não viram e creram. Jo. 20:29

Quem só pode conceber a Obra Divina dentro de um sistema criado e limitado pela lógica humana como pode acreditar que onde havia apenas 5 pães e 2 peixes mais de 5000 pessoas foram alimentadas? São como aqueles saduceus que por meio da narrativa dos 7 maridos, conforme a sua lógica, se empenharam na vergonhosa tentativa de refutar a Ressurreição dos mortos diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao que dEle ouviram: 

²⁹ 𝐄𝐫𝐫𝐚𝐢𝐬, 𝐧𝐚̃𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐡𝐞𝐜𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐚𝐬 𝐄𝐬𝐜𝐫𝐢𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬, 𝐧𝐞𝐦 𝐨 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫 𝐝𝐞 𝐃𝐞𝐮𝐬. Mateus 22:29

domingo, 7 de janeiro de 2024

𝐃𝐢𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐞 𝐁𝐚𝐚𝐥-𝐙𝐞𝐟𝐨𝐦 𝐄𝐱. 𝟏𝟒:𝟐

                                                                      Imagem                                                     

"𝐀𝐬𝐬𝐢𝐦 𝐝𝐢𝐳 𝐨 𝐒𝐞𝐧𝐡𝐨𝐫 𝐒𝐨𝐛𝐞𝐫𝐚𝐧𝐨, 𝐨 𝐒𝐚𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐈𝐬𝐫𝐚𝐞𝐥: "𝐕𝐨𝐜𝐞̂𝐬 𝐬𝐨́ 𝐬𝐞𝐫𝐚̃𝐨 𝐬𝐚𝐥𝐯𝐨𝐬 𝐬𝐞 𝐯𝐨𝐥𝐭𝐚𝐫𝐞𝐦 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐦𝐢𝐦 𝐞 𝐞𝐦 𝐦𝐢𝐦 𝐝𝐞𝐬𝐜𝐚𝐧𝐬𝐚𝐫𝐞𝐦. 𝐍𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐪𝐮𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐞 𝐧𝐚 𝐜𝐨𝐧𝐟𝐢𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐬𝐮𝐚 𝐟𝐨𝐫ç𝐚 (...)"  Isaías 30:15

O mar à sua frente e um poderoso inimigo em seu encalço. Parece haver muitas variações deste lugar na vida de cada homem pois na essência muitos lugares se parecem com aquele mesmo lugar diante de Baal Zefom -  aparentemente sem saída, que nos lembra uma dívida impagável, um mal sem cura, um inimigo invencível, uma ofensa irretratável... O que fazer? Quais sacrifícios? Quais obras, que armas? A orientação do homem de Deus que conduz seu rebanho e apascenta suas ovelhas continua a mesma: 

"𝐅𝐢𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐟𝐢𝐫𝐦𝐞𝐬 𝐞 𝐯𝐞𝐣𝐚𝐦 𝐨 𝐥𝐢𝐯𝐫𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐒𝐞𝐧𝐡𝐨𝐫 𝐥𝐡𝐞𝐬 𝐭𝐫𝐚𝐫𝐚́ 𝐡𝐨𝐣𝐞," 𝐄̂𝐱𝐨𝐝𝐨 𝟏𝟒:𝟏𝟑 

𝐂𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚 𝐅.𝐁 𝐌𝐞𝐲𝐞𝐫 - Parece-nos, muitas vezes, que Deus coloca seus filhos em profundas dificuldades, conduzindo-os a algum beco sem saída; armando situações que nenhum juízo humano admitiria, caso fosse previamente consultado. A própria nuvem os conduz para mais longe. talvez isso lhe esteja acontecendo neste exato momento. Parece desconcertante e muito grave; mas está perfeitamente correto. O motivo é mais que suficiente para justificar aquEle que o trouxe para esse beco. Trata-se de uma plataforma para que Ele lhe apresente sua graça e poder onipotente. Deus não somente há de livrá-lo, como também, ao fazê-lo, ensinar-lhe-á uma lição inesquecível que, mais tarde, reverter-se-á em muitos salmos e cânticos. Você jamais poderá agradecer a Deus por ter Ele agido exatamente como agiu.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

A Única Autoridade Infalível

"Então Eliú, filho de Baraquel, o buzita, tomou a palavra e disse: "Eu sou de menos idade, e vocês são idosos. Por isso, tive receio e fiquei com medo de dar a minha opinião.Pensei assim: ‘Que falem os que têm mais idade, e que a multidão dos anos ensine a sabedoria.’Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso lhe dá entendimento." Jó 32:6-8

Comenta C.H Makintosh - "Aqui a divina luz, a luz da inspiração começa a brilhar na cena e a empurrar para longe as nuvens escuras levantadas pela batalha verbal. No momento em que esse abençoado servo abre a boca, percebemos a sua força e o seu peso moral. Sentimos que estamos diante de alguém que fala como um oráculo divino - um homem que sem dúvida está na presença de Deus. Não é um homem que se abastece nos armazéns de sua magra e singular experiência (como Elifaz). Nâo é um homem que apella para a sua respeitável antiguidade (como Bilbade) ou para alguma confusa tradição, para as conflitantes vozes dos "pais" (como Zofar). Temos diante de nós um homem que nos introduz na presença do "assopro do Todo Poderoso".

Essa é a única autoridade infalível, o único padrão inerrante. O que Eliu diria do dogma da infalibilidade humana - aceito por mais de quinhentos seres racionais assentados em solene conclave? E isso passou então a fazer parte da fé cristã! (...) O que virá em seguida? (Corredentores?) 

Sem dúvida, a grande ilusão irá vigorar em breve quando a humanidade, por implicações da justiça de Deus, será compelida a crer na mentira por não haver crido na verdade. Possa o Espírito eterno aplicar as Suas energias na conversão de preciosas almas, antes que chegue o dia da vingança!"



domingo, 31 de dezembro de 2023

Romanismo.

Surgiu também uma discussão entre eles, acerca de qual deles era considerado o maior. Lucas 22:24

"(…) A igreja foi em sua origem, um povo de irmãos guiado por irmãos. Todos recebiam a instrução de Deus, e tinham direito de chegar por si mesmos à fonte da divina luz.  João 6:45. As epístolas, que então decidiam das grandes questões de doutrina, não traziam o nome pomposo de um só homem, de um chefe. As Santas Escrituras nos ensinam que se liam simplesmente estas palavras; Os apóstolos, os anciãos, aos nossos irmãos. Atos 15:23.

(...) Os primeiros pastores ou bispos de Roma dedicaram-se cedo à conversão de aldeias e cidades que cercavam esta capital. A necessidade em que se achavam os bispos e pastores da Campanha de Roma de recorrer em casos difíceis a um diretor entendido, e o reconhecimento que deviam à igreja metropolitana, os obrigaram a ficar unidos a ela. Viu-se então o que sempre se tem visto em circunstâncias análogas: esta união tão natural degenerou em dependência. Os bispos de Roma olharam como um direito à superioridade que as igrejas vizinhas lhe haviam concedido. É de usurpações de poderes que a história se compõe em grande parte, sendo que a outra se forma da resistência daqueles cujos direitos foram usurpados. O poderio eclesiástico não podia escapar à propensão que impele o que foi elevado a querer subir ainda mais. Ele seguiu esta lei da humanidade.

Não obstante, a supremacia do bispo romano limitava-se à inspeção das igrejas que se achavam nos territórios submetidos civilmente ao prefeito de Roma. (Veja-se o 6° Canon do Concílio de Nicéia) Mas a graduação que esta cidade de imperadores ocupava no mundo, apresentava à ambição de seu primeiro pastor mais vastos destinos. A consideração de que gozavam no segundo século os bispos da cristandade era proporcionada à consideração da cidade em que residiam. Ora, Roma era a maior, a mais rica e a mais poderosa cidade do mundo Era a capital do império, a mãe dos povos. Todos os habitantes da terra lhe pertencem, disse Juliano e Claudiano a proclamou “a fonte das leis”. 

Se Roma era a rainha das cidades do universo, porque seu pastor não seria a mãe da cristandade? Porque os povos não seriam seus filhos, e sua autoridade sua lei soberana? É fácil ao coração ambicioso do homem fazer tais arrazoados, e a ambiciosa Roma os fez." Jean-Henri Merle d'Aubigné, História da Reforma do Décimo Sexto Século. 

Todavia

Jesus lhes disse: "Os reis das nações dominam sobre elas; e os que exercem autoridade sobre elas são chamados benfeitores.²⁶ Mas, vocês não serão assim." Lucas 22:25,26

"Porque a igreja não tem outro Rei senão Jesus Cristo. Porque a Igreja não deve ingerir-se na política do mundo, tirar desta a sua própria inspiração nem apelar para suas espadas, suas prisões, seus tesouros. Porque a igreja vencerá pelas forças espirituais que Deus depositou em seu seio, e, acima de tudo, pelo reinado de seu Chefe adorável. Porque a Igreja não deve contar com tronos terrenos nem triunfos efêmeros, mas que a sua marcha se assemelhe à do REI: DA MANJEDOURA PARA A CRUZ, DA CRUZ PARA A COROA! 

J. H. Merle D'Aubigné, História da Reforma décimo sexto século, Vol. VI p. 247

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

𝗦𝗵û𝗯 – 𝗡ã𝗼 𝘀𝗲 𝗣𝗲𝗿𝗰𝗮𝗺!

“Quem somos, de onde viemos e para onde vamos.”

Para um Cristão, e não importa a sua classe social ou grau de instrução, não há qualquer dificuldade nestas três perguntas que tanto tem atormentado a sabedoria mundana desde que - dizem os sábios do mundo - o ser humano descobriu que podia pensar racionalmente. 

Da Origem e do Destino

𝗕𝗼𝗮 𝘃𝗶𝗮𝗴𝗲𝗺! Quem nunca ouviu ou proferiu esta famosa frase que mais parece uma benção?! E quem de coração sincero desejou uma boa viagem a alguém que não desejasse ver novamente?! É assim porque toda boa viagem tem por destino final o seu exato ponto de partida -  a nossa casa! Pois uma jornada que não termina em nosso querido lar, não acabou muito bem! Aliás, são mais bem quistos aqueles cuja volta é mais celebrada do que a partida, diria o pai de um certo filho, pródigo, pois houve uma grande festa quando aquele jovem retornou de sua infeliz jornada. 

Não ter destino é na verdade o mais triste dos destinos  - não ter para onde voltar e apenas ir…, ir…,  ir e nunca chegar – isso é se perder!

“Digo a vocês que, assim, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” Lucas 15:7 

“Shûb, que é a palavra hebraica mais comum para conversão, significa volver, voltar-se, virar e retornar, (…) A palavra mostra claramente que aquilo que o Antigo Testamento denomina ‘conversão’ é uma volta para Deus, de Quem o pecado separou o homem.” Teologia Sistemática Louis Berkhof p. 443 

“Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos (שׂוב shûb) para mim, e eu me tornarei (שׂוב shûb) para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos; (...)” Malaquias 3:7

Já no grego do Novo Testamento, em sentido muito semelhante encontramos  “επιστρεφω” “epistrepho”:  “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres (epistrepho), fortalece os teus irmãos”. Lucas 22:32 Disse o Senhor ao discípulo que iria negá-lo três vezes. 

Um bom sentido para uma viagem é sentir saudades do que verdadeiramente prezamos e deixamos para trás, pois assim, valorizamos o lugar ao qual pertencemos.

“Lembra-te da palavra que deste a Moisés, teu servo, dizendo: Quando vós transgredires, eu vos espalharei pelos povos: Mas se vós vos (shûb)  converterdes a mim, e guardardes os meus preceitos, e os cumprirdes, ainda quando vos tenhais sido espalhados até as extremidades do mundo, eu vos ajuntarei desses países, e eu  vos reconduzirei ao lugar que eu escolhi para nele habitar o meu nome.” Neemias 1;8-9

Pensemos naquela que talvez, seja a mais das extraordinárias jornadas de volta no âmbito da natureza. 

A Quantidade água no planeta, também diz a ciência, nunca se altera.

"Todos os ribeiros vão para o mar, e, contudo, o mar não se enche; para o lugar para onde os ribeiros vão, para aí tornam (shûb) eles a ir." Eclesiastes 1:7

As gotas de chuva que caem do céu são pequeninas porções de água, pedacinhos de mar  retirados da vastidão dos oceanos para onde todo riacho corre. Por sempre buscar os lugares mais baixos já disseram que a água é a mais humilde das substâncias, e no entanto, essencial, pois sem água nada vivo existiria (humildade e exaltação, sempre de mãos dadas).  Estas porções de água,  numa espécie de transcendência são evaporadas pelo sol,  aparentemente mortas, reduzidas a fumo, leve, são nuvem agora, peregrinas, vagando em alta velocidade por lugares indeterminados até que retornem ao seu estado líquido. Em forma de chuva, cada pequena porção de água será pulverizada em vários pontos diferentes deste grande planeta. Ainda que uma seja despejada no pico da mais alta montanha e outra no meio do mais árido deserto ou ainda que mate a sede de um ser vivente, por diversos que sejam seus destinos e seu estado provisórios e por maior que seja o tempo de sua peregrinação, nada deterá a sua inexorável marcha de volta ao grande Oceano a que pertencem, sua humildade lhe colocará sempre em busca do grande mar. “(…) as águas estavam sobre os montes; à tua repreensão, fugiram; à voz do teu trovão, se apressaram. Subiram aos montes, desceram aos vales, até ao lugar que para elas fundaste.”  Salmos 104:6-8.

Assim são aqueles bem aventurados, escolhidos pelo Imutável Deus  desde a fundação do mundo. 

Infeliz do homem que acreditar ter encontrado a felicidade e o seu destino neste lugar provisório, onde deve viver como um estrangeiro de passagem, onde a água volta ao mar e o pó volta ao pó. Somos homens, criados por Deus a sua imagem e semelhança, peregrinos nesta terra, e isso já sabemos, de onde viemos e para onde devemos ir é na prática  uma só pergunta porque apenas uma é a resposta:

“Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai”, Lc 15.18.” 

— Mas cuidado!

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 

Portanto crianças, shûb - não se percam! 

𝕾𝖔𝖑𝖎 𝕯𝖊𝖔 𝕲𝖑𝖔𝖗𝖎𝖆 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Os Fascistas e os Hereges, de fato

 "Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado"

A despeito do conhecidíssimo lema, outro dia um grupo de baderneiros esquerdistas chamavam de Fascistas aqueles que deliberavam democraticamente no parlamento paulistano sobre a desestatização de uma empresa pública, isso porque eles, os esquerdistas lutam para que Tudo esteja no Estado e dessa forma que nada esteja fora do Estado e nada seja contra o Estado . É risível, cômico, trágico!

"𝐀𝐜𝐮𝐬𝐞-𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐯𝐨𝐜ê 𝐟𝐚𝐳, 𝐜𝐡𝐚𝐦𝐞-𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐯𝐨𝐜ê é" 

Mas quem lê atentamente a história da Igreja, percebe que este malígno modus operandis não é tão recente e restrito quanto afirmam aqueles que refletem sobre a política e as ideologias modernas, pois aquele que também observa atentamente constata  que o adjetivo "Hereges" é usado com as mesmas frequência,  inabilidade e/ou desonestidade intelectual por aqueles que também acusam os outros daquilo que fazem. 

Por exemplo, quantos daqueles que adoram acusar os reformados de hereges leram Ireneu de Lion, o piedoso pai da Igreja do 2° século autor de "Contra as Heresias"? 

"9,1. Vês, portanto, amigo caríssimo, as invenções a que põem mãos para seduzir a si mesmos, malversando as Escrituras e os esforços que fazem para dar consistência a seus fantasmas.. "

Ora, Irineu de Lion, Contra as Heresias, se fundava nas Escrituras. 

Por outro lado, quem já leu nas Sagradas Letras algo sobre Homens infalíveis, purgatórios, sucessão apostólica, corredentores...?! 

A proclamação da Palavra de Deus é salvadora, ela aponta os erros na vida dos que a ouvem para que se convertam aos caminhos de Deus. O Estudo das Sagradas Escrituras nos habilita a confirmar quem de fato é o Mestre na igreja que frequentamos, e assim permanecermos Nesta Verdade que é o Caminho e a Vida: 

𝕹𝖔𝖘𝖘𝖔 𝕾𝖊𝖓𝖍𝖔𝖗 𝖊 𝕾𝖆𝖑𝖛𝖆𝖉𝖔𝖗 𝕵𝖊𝖘𝖚𝖘 𝕮𝖗𝖎𝖘𝖙𝖔  - 𝖔 𝕷𝖎́𝖉𝖊𝖗 𝖎𝖓𝖋𝖆𝖑𝖎́𝖛𝖊𝖑 𝖉𝖊 𝖘𝖚𝖆 𝖎𝖌𝖗𝖊𝖏𝖆. 

¹⁴ Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste¹⁵ e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.¹⁶ Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça ¹⁷ a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. 2 Timóteo 3:14-17

 𝕾𝖔𝖑𝖆 𝕲𝖗𝖆𝖙𝖎𝖆, 𝕾𝖔𝖑𝖆 𝕱𝖎𝖉𝖊, 𝕾𝖔𝖑𝖚𝖘 𝕮𝖍𝖗𝖎𝖘𝖙𝖚𝖘, 𝕾𝖔𝖑𝖆 𝕾𝖈𝖗𝖎𝖕𝖙𝖚𝖗𝖆, 𝕾𝖔𝖑𝖎 𝕯𝖊𝖔 𝕲𝖑𝖔𝖗𝖎𝖆 

 A salvação é pela Graça de Deus somente, através da Fé somente, em Cristo somente, como revelado nas Sagradas Escrituras somente e para a Glória de Deus somente!

 


domingo, 10 de dezembro de 2023

A Invasão Vertical dos Bárbaros e a Agonia de nossa Civilização

 

                                                                        Asier Sanz Nieto


A Valorização da Memória Mecânica 

(...) "Em um exame numa faculdade de Filosofia, foram aprovados ou reprovados os candidatos consoante sabiam dizer o ano, o dia da semana em que nascera um filósofo, em que data fora lançado o seu primeiro livro, em que jornal escreveu um artigo em defesa de sua obra, e perguntas semelhantes quase todas. E se a resposta não condizia com os fatos, as reprovações eram inevitáveis, e o foram em massa. Desse modo fechavam-se as portas a muitos desejosos de se dedicarem à filosofia. Mentes que poderiam amanhã contribuir para elevar o grau de cultura de um povo eram desde logo alijadas. Quem conhece psicologia sabe muito bem que estragos emocionais produzem essas reprovações injustas. Se nos mais fortes são capazes de impulsionar a romper a estupidez de tais mestres, e a projetar-se decididamente para frente, nos mais fracos sepultam todas as esperanças e todos os estímulos.

A valorização da memória mecânica tem levado a uma valorização também exagerada da cibernética, na qual se colocam esperanças desmedidas.

Ninguém pode negar que a cibernética poderá auxiliar extraordinariamente o homem de ciência, no referente à parte que corresponde à memória mecânica. Ela poderá suprir as deficiências nesse setor, já que é comum aos mais inteligentes serem desprovidos dos mais acentuados graus de memória mecânica. Mas jamais a cibernética superará a memória eidética, nem a criação de ideias, nem a dialética bem entendida. Ela é um auxiliar de grandes recursos, mas num âmbito determinado. Pretender que ela possa substituir totalmente o cérebro humano é a mais tola ideia que poderia surgir, e uma manifestação de barbarismo intelectual da pior espécie. Contudo, não são poucos os que pensam assim."

Mário Ferreira dos Santos - Invasão Vertical dos Bárbaros. 

"O declínio paralelo da Teologia e da Antropologia conduz a pensar que uma das funções da Ideia de Deus é a de fornecer um princípio para a preservação do homem. A "morte de" Deus, de que alguns se regozijam, arrisca-se, fortemente, de ser acompanhada pela morte da humanidade enquanto humanidade. A civilização técnica de nossa época, abandonada ao livre jogo dos determinismos mecanicistas, não respeita nenhuma imagem reguladora do ser humano. Esta civilização, que devia realizar o benefício do homem, é em realidade uma civilização sem o homem."

Georges Gusdorf - A Agonia de Nossa Civilização.


domingo, 3 de dezembro de 2023

Humildade - A Primeira das Boas Aventuranças - Mt. 5,3


O que diz, então, o Senhor? 

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.” Mt 5,3. 

"Lemos na Sagrada Escritura acerca da cobiça dos bens temporais que “Tudo é vaidade e presunção dos espíritos”. Ecl 1,14. Ora, presunção de espírito quer dizer orgulho e arrogância. Assim é dito, frequentemente, dos orgulhosos que estão cheios de si. Com razão, pois, a palavra “espírito” também significa vento (Vento: spiritus, no latim). De fato, está escrito: “O fogo, o granizo, a neve, a geada, o vento  das tempestades”. Sl 148,8  Na verdade, quem ignora que se diz dos soberbos que eles estão inchados como se estivessem cheios de vento? Isso levou o Apóstolo a dizer: “A ciência incha; é a caridade que edifica”. 1Cor 8,1.  Logo, com razão se entende aqui que são pobres de espírito os humildes e tementes a Deus, isto é, os desprovidos de todo espírito que incha. Essa bem-aventurança não poderia ter sido iniciada de outro modo, porque ela deve fazer-nos chegar à suma sabedoria, e que: “O princípio da sabedoria é o temor de Deus” Jo 28.28. Enquanto, pelo contrário, “O princípio de todo o pecado é a soberba” Eclo 10,15, Pv 16.18-19. Desse modo, que os soberbos apeteçam e procurem os reinos da terra, mas “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Mt 5,3.  Agostinho de Hipona - O Sermão da Montanha

" O Pão nosso de cada dia nos dai hoje Senhor" 

"A vida que Deus entregou é concedida não de uma vez, mas a cada momento, continuamente, pela operação incessante de Seu grandioso poder. A humildade, o lugar da plena dependência de Deus, é, pela própria natureza das coisas, a primeira obrigação e a virtude mais elevada da criatura, e a raiz de toda virtude. O orgulho, ou a perda dessa humildade, então, é a raiz de todo pecado e mal. Foi quando os anjos agora caídos começaram a olhar para si mesmos com autocomplacência que foram levados à desobediência, e foram expulsos da luz do céu para as trevas exteriores. E também foi quando a serpente exalou o veneno do seu orgulho, o desejo de ser como Deus, no coração de nossos primeiros pais, que eles também caíram da sua posição elevada para toda a des-graça na qual o homem está, agora, afundado. No céu e na terra, orgulho — auto-exaltação — é a porta, o nascimento e a maldição do inferno.

Por isso, nossa redenção tem de ser a restauração da humildade perdida, o relacionamento original e o verdadeiro relacionamento da criatura com seu Deus. E, portanto, Jesus veio trazer a humildade de volta à terra, fazer-nos participantes dessa humildade e, por ela, nos salvar. Nos céus, Ele se humilhou para tornar-se homem. Nós vemos a humildade nEle ao se dominar a Si mesmo nos céus; Ele a trouxe, de lá. Aqui na terra, "a Si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz". Sua humildade deu à Sua Morte o valor que ela hoje tem e, então, se tornou Nossa Redenção. "ANDREW MURRAY - HUMILDADE A BELEZA DA SANTIDADE 

Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; Mateus 16:24

"Jesus havia dito a eles sobre a sua cruz; agora Ele fala sobre as próprias cruzes dos discípulos. Agora eles podem ponderar novamente se poderiam e queriam segui-lo. Com mais informação a respeito de seu destino, a questão foi novamente colocada diante deles, se eles O seguiriam ou O abandonariam. Se eles continuassem a ser seus seguidores, deveriam ser como carregadores de cruz e negadores de si mesmos. Essas condições não mudaram." Charles Spurgeon Comentários a Mateus - A Narrativa do Rei, p. 343

Derek Prince em seu famoso sermão sobre o Jejum, nos ensina que não devemos pedir a Deus, humildade: " ... a responsabilidade pela humilhação é nossa. Não podemos transferi-la ao Senhor. Pedir a Ele que nos faça humildes não é bíblico, porque a resposta do Pai na Palavra é sempre "Humilhai-vos". 

E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado. Mateus 23:12

Ou a Humildade é a virtude dos humildes ou é humilhação como castigo dos que se exaltam. Tomas de Aquino explica: 

"PORTANTO, deve-se dizer que como diz Isidoro, “humilde equivale a próximo ao húmus”, ou seja, preso ao que é mais baixo. Isso acontece de dois modos c. Em primeiro lugar, por um princípio extrínseco, quando, por exemplo, alguém é rebaixado por outrem, e então a humildade tem caráter de castigo. - Em segundo lugar, por um princípio intrínseco. E isso pode ocorrer, às vezes, em bom sentido, quando, por exemplo, alguém, à vista dos próprios defeitos, se considera pequeno, como Abraão, ao confessar a Deus: “Vou ousar falar ao meu Senhor, eu que não passo de pó e cinza”. E, nesse caso, a humildade é uma virtude. Mas outras vezes, pode ser em mau sentido, quando, por exemplo, “o homem não entende sua dignidade e se compara aos animais insensatos (brutos) e a eles se assemelha."

Suma Teológica Q 161, art. 1

"Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e 𝐫𝐞𝐯𝐞𝐬𝐭𝐢-𝐯𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐡𝐮𝐦𝐢𝐥𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐩𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐫𝐞𝐬𝐢𝐬𝐭𝐞 𝐚𝐨𝐬 𝐬𝐨𝐛𝐞𝐫𝐛𝐨𝐬, 𝐦𝐚𝐬 𝐝á 𝐠𝐫𝐚ç𝐚 𝐚𝐨𝐬 𝐡𝐮𝐦𝐢𝐥𝐝𝐞𝐬. 𝑯𝒖𝒎𝒊𝒍𝒉𝒂𝒊-𝒗𝒐𝒔, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte," 1 Pedro 5:5,6 

A visão da glória de Deus produz humildade. 

As estrelas somem quando o sol aparece. 

(Thomas Watson) 


sábado, 2 de dezembro de 2023

Chesterton, Gusdorf e a Revolução Francesa.

O contraste entre as opiniões  de um  escritor católico romano e de um protestante reformado sobre a Revolução em França de 1789.

No fim do século XVIII, duas revoltas vitoriosas – A Guerra de Independência dos EUA e a Revolução Francesa – mudaram a face do mundo. A primeira fundou um país fortemente marcado pela cultura protestante, num grande território em que não era necessário fazer um ajuste de contas com um passado feudal onde floresceu a maior democracia do Ocidente; a segunda pôs fim a uma das mais importantes monarquias da Europa instituindo em seu lugar a França contemporânea, a mesma de maio de 68. 

G.K. Chesterton 

O grande ensaísta inglês discorre no capítulo em referência de Ortodoxia sobre o pensamento moderno: “Se este ponto ainda não está bem esclarecido, um exemplo histórico pode ilustrá-lo. A Revolução Francesa foi, realmente um ato heroico e decisivo, porque os Jacobinos desejavam alguma coisa definida e limitada. Desejavam as liberdades da democracia, mas, também, os vetos dessa democracia. Desejavam ter os votos e não ter os títulos. A república tinha um lado ascético em Franklin ou Robespieere, e um lado expansivo em Danton e Wilkes. Assim criaram alguma coisa com forma e substância sólidas, uma igualdade social niveladora e a riqueza campestre da França. Mas desde então o pensamento revolucionário ou especulativo da Europa tem sido enfraquecido pelo retraimento de qualquer proposta devido aos limites dessa mesma proposta. O liberalismo degenerou em liberalidade. Os homens tentaram converter o verbo transitivo ‘revolucionar’ em verbo intransitivo. O jacobino poderia dizer-nos não só qual era o sistema contra o qual se revoltava, mas também (o que é mais importante) o sistema em que confiava.” Ortodoxia, Ecclesiae, p. 68 

Georges Gusdorf 

As reflexões do pensador reformado aqui também destoam muito do católico romano: “Diferença fundamental, a liberdade americana foi conquistada de um adversário externo, à custa de uma guerra estrangeira, mesmo que existisse no país uma minoria de partidários do estrangeiro, os tories lealistas. Ao contrário, a liberdade francesa teve de ser adquirida num conflito da França com ela própria; a guerra civil precedeu a guerra estrangeira, muito mais terrível na exasperação dos fanatismos opostos. Mais do que isso, em cada consciência se travava uma guerra civil individual, dilacerada entre aspirações contraditórias; entre o fascínio e o pavor, a revolução mobilizava as paixões; ela libertou o instinto de morte inscrito nas profundezas de cada personalidade. Na exasperação do Grande Terror, os revolucionários tornaram-se possessos, divididos entre as obsessões contraditórias do massacre, do sacrifício e do suicídio. Da Revolução Americana nasce uma grande nação fortemente marcada pela cultura protestante, à revolução Francesa, seguiram-se o Terror e sucessivos golpes de Estado…” Georges Gusdorf  – As Revoluções da França e da América – a Violência e a Sabedoria – Editora Nova Fronteira. Pg 49. 

E aqui um bônus de Edmund Burke filho de pai protestante e de mãe católica e que aderiu à fé de seu pai permanecendo um anglicano praticante ao longo de sua vida: 

“Faz agora dezesseis ou dezessete anos desde que vi a Rainha da França, naquela época a Delfina, em Versalhes, e certamente jamais pisou neste globo (olhos), que ela apenas parecia tocar, uma visão mais deliciosa. Vi-a bem acima do horizonte, decorando e alegrando a esfera celeste em que principiou a mover-se – cintilante como a estrela da manhã, cheia de vida, esplendor e alegria. Oh, que revolução! E que coração devo eu ter para contemplar, sem emoção, essa elevação e essa queda! (coação exercida pela turba sobre Luís XVI e Maria Antonieta em Versalhes, fazendo-os voltar a Paris para serem confinados nas Tulherias, sob a vigilância popular, 5 de outubro de 1789). Mal podia eu sonhar, quando, ao lhe tributar títulos de veneração acrescidos aos de um amor entusiasta, distante e respeitador, que ela um dia fosse obrigada a levar escondido em seu seio aquele forte antídoto contra a desgraça. Mal podia eu sonhar que viveria para ver esses desastres recaírem sobre ela em uma nação de homens valorosos, em uma nação de homens honrados e cavalheiros. Pensei que mil espadas seriam logo tiradas de suas bainhas para vingar um olhar sequer que a ameaçasse insultuosamente. Mas a era do cavalheirismo foi-se. Sucedeu-a a dos sofistas, economistas e calculadores, e a glória da Europa extinguiu-se para sempre.”

Will Durand - História da Civilização Vol. 10, Rousseal e a Revolução p. 732.


domingo, 26 de novembro de 2023

A Agonia de Nossa Civilização

 

"A tradição cristã ensinava que Deus fez o homem à sua imagem. A experiência de nossa época parece atestar que Deus e o homem estão ligados por uma solidariedade de destino; se uma das imagens se dissocia, ocorre o mesmo com a outra. O ateísmo de hoje encontrou uma de suas expressões mais significativas nos retratos de Picasso, em que um rosto, quebrado, decomposto em pedaços, é composto pela agregação, em desordem, dos fragmentos obtidos, um olho no lugar do nariz e o nariz no lugar do queixo. Quando se perde o sentido do divino, então o sentido do humano se perde igualmente."

Georges Gusdorf - A Agonia de Nossa Civilização.

A Coragem que provém do Temor a Deus

 Que ninguém seja enganado pelas aparências, o temor a Deus faz de todo cristão um ser humano de inabalável coragem! Pois apesar de serem humildes Mt 5.3, mansos Mt 5.5,  pacíficadores Mt. 5.9,  misericordiósos Lc 6.36  e de amarem a seu próximo como a si mesmos Mt 22:39, incluindo seus inimigos LC 10.25 por amor e temor a Deus, 𝐨 𝐭𝐞𝐦𝐨𝐫 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐞𝐱𝐜𝐥𝐮𝐢 𝐭𝐨𝐝𝐨𝐬 𝐨𝐬 𝐝𝐞𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐭𝐞𝐦𝐨𝐫𝐞𝐬:

'⁴ Digo-vos, pois, amigos meus: não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. ⁵ Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer. ' Lucas 12:4,5




domingo, 12 de novembro de 2023

Um certo centurião, "amigo de nosso povo"

 "³ Quando o centurião ouviu falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo.

⁴ Estes, aproximando-se de Jesus, lhe pediram com insistência:

  —  𝑬𝒍𝒆 𝒎𝒆𝒓𝒆𝒄𝒆 𝒂 𝒔𝒖𝒂 𝒂𝒋𝒖𝒅𝒂,

⁵ 𝒑𝒐𝒓𝒒𝒖𝒆 𝒆́ 𝒂𝒎𝒊𝒈𝒐 𝒅𝒐 𝒏𝒐𝒔𝒔𝒐 𝒑𝒐𝒗𝒐, 𝒆 𝒆𝒍𝒆 𝒎𝒆𝒔𝒎𝒐 𝒄𝒐𝒏𝒔𝒕𝒓𝒖𝒊𝒖 𝒂 𝒏𝒐𝒔𝒔𝒂 𝒔𝒊𝒏𝒂𝒈𝒐𝒈𝒂.

⁶𝑬𝒏𝒕𝒂̃𝒐 𝑱𝒆𝒔𝒖𝒔 𝒇𝒐𝒊 𝒄𝒐𝒎 𝒆𝒍𝒆𝒔. Quando Jesus já estava perto da casa, o centurião enviou-lhe alguns amigos, dizendo:

  — Senhor, não se incomode, porque não sou digno de recebê-lo em minha casa.

⁷ Por isso, não me julguei digno de ir falar pessoalmente com o senhor; porém diga uma palavra, e o meu servo será curado.

⁸ Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: "Vá", e ele vai; e a outro: "Venha", e ele vem; e ao meu servo: "Faça isto", e ele o faz.

⁹ Ao ouvir estas palavras, Jesus ficou admirado com aquele homem e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse:

  — Eu lhes digo que nem mesmo em Israel encontrei fé como esta.

¹⁰ E, quando os que tinham sido enviados voltaram para casa, encontraram o servo curado."   Lucas 7:3-10

³ Abençoarei aqueles que o abençoarem e amaldiçoarei aquele que o amaldiçoar. Em você serão benditas todas as famílias da terra. 

Gênesis 12:3

Lucas 7:3-10 Os oficiais judeus na prática diziam, "Ele é um bom homem, que ama o nosso povo e ajudou a construir nossa sinagogoa." O centurião na prática responde: " Se eu também posso fazer coisas com base na autoridade que me foi dada, quanto mais o Senhor! "nem mesmo em Israel" prenuncia a entrada de gentios no reino de Deus. "Fé como esta" Jesus elogia o centurião (que é um gentio) por sua fé humilde.  (...) "encontram o servo curado" Como acontece em todos os milagres de cura nas Escrituras, a prova do milagre é decrita" 

Gênesis 12:3 - O discurso divino que repentina e inesperadamente introduz esta seção é excepcionalmente importante porque define a agenda não só para a vida de Abraão, mas também para seus descendentes. Ao se concentrar em como a benção divina será mediada por meio de Abraão para todas as famílias da terra, ele marca uma reviravolta importante no livro de Gênesis. A repetição do verbo "abençoar" (vs 2,3) ressalta a esperança de que, por meio de Abrão, povos de todos os lugares poderão experimentar o favor de Deus, revertendo a experiência predominantemente negativa dos caps 3-11. Os planos de Deus  para Abraão têm dimensões nacionais e internacionais, que são desenvolvidas nos episódios que se seguem."

"Embora Abraão houvesse sido chamado para ser uma benção para  outros, tudo dependerá de como lhe tratarem. 𝑨𝒒𝒖𝒆𝒍𝒆𝒔 𝒒𝒖𝒆 𝒔𝒂̃𝒐 𝒃𝒐𝒏𝒔 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝑨𝒃𝒓𝒂𝒂̃𝒐 𝒗𝒂̃𝒐 𝒆𝒙𝒑𝒆𝒓𝒊𝒎𝒆𝒏𝒕𝒂𝒓 𝒐 𝒇𝒂𝒗𝒐𝒓 𝒅𝒆 𝑫𝒆𝒖𝒔, 𝒒𝒖𝒆𝒎 𝒐 𝒅𝒆𝒔𝒑𝒓𝒆𝒛𝒂 𝒔𝒐𝒇𝒓𝒆𝒓𝒂́ 𝒄𝒐𝒎 𝒐 𝒅𝒆𝒔𝒂𝒈𝒓𝒂𝒅𝒐 𝒅𝒆 𝑫𝒆𝒖𝒔. 

³ 𝑨𝒃𝒆𝒏𝒄̧𝒐𝒂𝒓𝒆𝒊 𝒂𝒒𝒖𝒆𝒍𝒆𝒔 𝒒𝒖𝒆 𝒐 𝒂𝒃𝒆𝒏𝒄̧𝒐𝒂𝒓𝒆𝒎 𝒆 𝒂𝒎𝒂𝒍𝒅𝒊𝒄̧𝒐𝒂𝒓𝒆𝒊 𝒂𝒒𝒖𝒆𝒍𝒆 𝒒𝒖𝒆 𝒐 𝒂𝒎𝒂𝒍𝒅𝒊𝒄̧𝒐𝒂𝒓 (singular), enfatizando que muitos mais serão os abençoados em comparação com os amaldiçoados. De fato, tal será a influência de Abraão que serão bendidtas todas as nações da terra por meio dele. Esta promessa é posteriormente reafirmada a Isaque e Jacó ( 22:18; 26:4; 28:14) "em você" isto pode simplesmente indicar "por meio de você), porém é mais provável que essa expressão designe Abraão como representante da aliança de um povo. Estar "em alguém", então, é ser um membro de algo de que essa pessoa é o representante. (cfr. 2Sm: 19:43; 20.1). Esta parece ser a maneira como Paulo diz em Gl 3:8-9, onde "em você" se torna "junto com Abraão", isso também poderia explicar a origem da expressão "em Cristo" usada no NT.   Comentários - Bíbilia de Estudos NAA

𝕾𝖔𝖑𝖎 𝕯𝖊𝖔 𝖌𝖑𝖔𝖗𝖎𝖆 

PASTORADO FEMININO

"E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio. Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão."  1 Timóteo 2:12-14 - 

No lado esquerdo como o estudo arminiano da Bíblia de Estudo do Discípulo - editora Geográfica  (não) enfrenta os citados versículos e do lado direito, o extenso comentário da Bília de estudos calvinista NAA sobre a mesma Palavra inspirada. 

"(...) teu melhor servo é aquele que não procura ouvir de Ti o que ele quer, mas procura 𝐪𝐮𝐞𝐫𝐞𝐫 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐨𝐮𝐯𝐞 𝐝𝐞 𝐓𝐢.” Agostinho, Confissões. 

" Assim como para toda enfermidade, a cura para a presunção é tríplice: descobrir a causa, encontrar um método para sua eliminação e treinar a alma para tomar decisões corretas. Assim como um olho disfuncional, a alma obscurecida por falsas doutrinas não é capaz de discernir a luz da verdade e 𝐢𝐠𝐧𝐨𝐫𝐚 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐛𝐞𝐦 𝐚̀ 𝐬𝐮𝐚 𝐟𝐫𝐞𝐧𝐭𝐞. 

E, assim como meninos travessos trancam para fora o professor, os falsos mestres não transmitem os ensinamentos à sua igreja, considerando-os com desconfiança. De fato, eles alinham uma gama de mentiras e invensões para parecer que estão agindo razoavelmente ao não admitirem as Escrituras. Por isso, não são piedosos, uma vez que não se agradam dos mandamentos do Espírito Santo. Eles são privados do conselho de Deus e das tradições de Cristo e são amargos como a amêndoa selvagem. Sua doutrina (exceto as verdades evidentes que eles não poderiam descartar ou esconder) começa com eles mesmos. 

Portanto, assim como o soldado na guerra não deve deixar o posto que lhe foi designado pelo comandante, nós não devemos abandonar o posto que nos é designado pela palavra. Ela nos guia em conhecimento e vida. A maioria das pessoas, porém, nem sequer perguntou se há Alguém a quem devemos seguir, quem é esse Alguém, ou como lidar com as mentiras. Para seguir a Deus, porém, quem crê deve viver segundo o que a Sua Palavra diz!"

Clemente de Alexandria - 30-100 d.C (Dia a dia com os Pais da Igreja, 08 de novembro - Miscelânea 7:16)

"As bases para a proibição de a mulher liderar a igreja não são culturais, mas teológicas, a saber: a ordem da criação e a doutrina da queda (1Tm2.11-14)." Pequeno Manual de Doutrinas Básicas. M. Granconato.


terça-feira, 31 de outubro de 2023

Grande dia! Que muitas almas sejam convencidas, não pelas narrativas da carne sob o slogan do homem infalível, mas pelo testemunho sagrado das Escrituras - Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça. Gênesis 15:6. 𝕾𝖊𝖏𝖆 𝖘𝖊𝖒𝖕𝖗𝖊 𝕯𝖊𝖚𝖘 𝖛𝖊𝖗𝖉𝖆𝖉𝖊𝖎𝖗𝖔 𝖊 𝖙𝖔𝖉𝖔 𝖍𝖔𝖒𝖊𝖒, 𝖒𝖊𝖓𝖙𝖎𝖗𝖔𝖘𝖔! 

Ainda não inventaram uma maneira mais eficaz de se encontrar respostas neste mundo do que a arte de se fazer perguntas. Mas existe uma grande dificuldade: Verdade:1+1=2, Mentira:1+1=(…). No mais das vezes, para cada pergunta existe apenas uma resposta correta entre uma multidão infinita de respostas erradas, razão pela qual podemos dizer que quase “todos os caminhos levam” à mentira, mas somente Um Caminho nos leva à Verdade e à Vida. Por isso creio que encontrar uma verdade, por mais simples que ela nos pareça é sempre um milagre, uma dádiva de Deus e não o resultado do labor humano. Pois onde quer que se encontre uma verdade, ela só nos foi revelada por que de alguma forma nos foi dita por Aquele que criou todas as coisas pela Sua Palavra.

Há também muitas religiões, mas nem todas dizem a verdade. Se existisse um meio pelo qual pudéssemos escolher de maneira segura a verdadeira religião - (isso porque eu acredito que nós é que somos escolhidos  - ¹⁶ Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós...) João 15:16- creio que também seria por meio de uma pergunta, a mais importante pergunta de nossas vidas: 

Porque serei salvo da morte eterna?

As religiões respondem a esta pergunta, ou melhor,  tentam responder porque várias são as respostas: porque sou membro de determinada  seita e fora dela não há salvação, porque fiz penitência e um sacerdote perdoou os meus pecados, por que o santo, do qual sou devoto,  intercedeu por minha causa, porque pago promessas,  rezo o terço, guardo o sábado, subo escadarias de joelho, oro em latim, participo das campanhas e dos retiros, das novenas e das procissões, porque pago o dízimo, porque dou esmolas, por que comprei a minha indulgência quando algumas moedas num cofre tilintaram... enfim, porque fiz por merecer! 

Ou simplesmente acreditamos que, pelo fato de não merecermos a salvação mas a morte,   somos salvos pela imerecida Graça dAquele que ¹⁶ amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16 Porque “O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas pisaduras (e não por nossas obras) fomos sarados!” Isaías 53:5

Apesar de tantas mentiras e uma Única Verdade,  o Cristão de verdade sabe por que é salvo, não porque ele é sábio mas porque é bem aventurado “(...) porque to não revelou a carne e o sangue…” mas a Infalível, Inerrante, Plenária, Suficiente, Soberana, Sempre Atual, Eterna e Imutável Palavra  de Deus!

Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça. Gênesis 15:6.

Nela esta escrito que “(…) o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 6:23 pois aquele que obra é merecedor do seu salário,   porém aquele que recebe uma Graça não fez nada para merecê-la, “para que ninguém se glorie” a recebe  como um pobre mendigo que é, e ainda que faça muitas e muitas obras,  por gratidão e amor Àquele que lha concedeu,  até o que fizer, se fizer – e fará por que “a Fé sem obras é morta” Tg 2:17 -   será também por Graça: “Teu é tudo e aquilo que recebemos das tuas mãos, isto mesmo te oferecemos”1Cr 29:14, poderiam até  dizer que o contexto aqui é outro – ofertas para a construção do templo – mas o que é o “tudo que pertence a Deus” em qualquer contexto em que O adoramos, senão tudo?! 

 Se “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam”. 1 Coríntios 2:9” Como poderíamos pagar por algo que mal podemos imaginar a dimensão? “...pois a redenção da sua alma é caríssima, e seus recursos se esgotariam antes;” Salmos 49:8 

Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais.”   Salmos 103:15,16

Tamanho é o contraste entre a grandeza da nossa Herança e a ínfima porção de existência humana neste mundo, que ainda que fosse por obras, seria por Graça.

Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça. Gênesis 15:6. 

Eis o que Deus disse, e pela Sua Graça, eis no que acreditamos: “𝕻𝖔𝖗𝖖𝖚𝖊 𝖕𝖊𝖑𝖆 𝖌𝖗𝖆𝖈̧𝖆 𝖘𝖔𝖎𝖘 𝖘𝖆𝖑𝖛𝖔𝖘, 𝖕𝖔𝖗 𝖒𝖊𝖎𝖔 𝖉𝖆 𝖋𝖊́; 𝖊 𝖎𝖘𝖘𝖔 𝖓𝖆̃𝖔 𝖛𝖊𝖒 𝖉𝖊 𝖛𝖔́𝖘; 𝖊́ 𝖉𝖔𝖒 𝖉𝖊 𝕯𝖊𝖚𝖘”. Efésios 2:8 “𝕻𝖔𝖗 𝖈𝖆𝖚𝖘𝖆 𝖉𝖊 𝖘𝖚𝖆 𝖌𝖗𝖆𝖈̧𝖆, 𝖓𝖔𝖘 𝖉𝖊𝖈𝖑𝖆𝖗𝖔𝖚 𝖏𝖚𝖘𝖙𝖔𝖘 𝖊 𝖓𝖔𝖘 𝖉𝖊𝖚 𝖆 𝖊𝖘𝖕𝖊𝖗𝖆𝖓𝖈̧𝖆 𝖉𝖊 𝖖𝖚𝖊 𝖍𝖊𝖗𝖉𝖆𝖗𝖊𝖒𝖔𝖘 𝖆 𝖛𝖎𝖉𝖆 𝖊𝖙𝖊𝖗𝖓𝖆.” Tito 3:7 Nós cremos! ainda que alguns homens se reúnam solenemente em concílios nos amaldiçoando por isso:

“ Se alguém disser que o ímpio é justificado pela fé só, no sentido de que não se requer nada além desta para cooperar na consecução da graça da justificação, e que não é de modo algum necessário que ele se prepare e se disponha com um ato de sua vontade: seja anátema (maldito)” Concílio de Trento: Sessão 6ª - Cân 9.

Por quê? Porque eu lembro quais eram os “atos da minha vontade” até que pela Graça de Deus, eu suplico ao Senhor, torna-me capaz de fazer “𝖆 𝕿𝖚𝖆 𝖁𝖔𝖓𝖙𝖆𝖉𝖊 𝖊 𝖓𝖆̃𝖔 𝖆 𝖒𝖎𝖓𝖍𝖆”! Por que “teu melhor servo é aquele que não procura ouvir de ti o que ele quer, mas procura querer o que ouve de ti.” Agostinho, Confissões. 

Por que essa maldição de Trento é mentirosa, pois escrito está: “𝕸𝖆𝖑𝖉𝖎𝖙𝖔 (𝖊́) 𝖔 𝖍𝖔𝖒𝖊𝖒 𝖖𝖚𝖊 𝖈𝖔𝖓𝖋𝖎𝖆 𝖓𝖔 𝖍𝖔𝖒𝖊𝖒”! 17:5 – E quem é o homem? Todos, exceto nós mesmos?! Pelo contrário! O eu de cada um é o mais perigoso dos homens porque mais próximo de nós está o seu “coração enganador”. Jer. 17.9 Todavia,  “𝕭𝖊𝖓𝖉𝖎𝖙𝖔 𝖔 𝖍𝖔𝖒𝖊𝖒 𝖖𝖚𝖊 𝖈𝖔𝖓𝖋𝖎𝖆 𝖓𝖔 𝕾𝖊𝖓𝖍𝖔𝖗 𝖊 𝖈𝖚𝖏𝖆 𝖊𝖘𝖕𝖊𝖗𝖆𝖓𝖈̧𝖆 𝖊́ 𝖔 𝕾𝖊𝖓𝖍𝖔𝖗. Jeremias 17:7” 

Mas e tu? O que pensas receber do Senhor? Aquilo que mereces por tuas obras? Ou Sua Graça?

"𝕬 𝖒𝖎𝖓𝖍𝖆 𝖌𝖗𝖆𝖈̧𝖆 𝖙𝖊 𝖇𝖆𝖘𝖙𝖆"- 2 Coríntios 12:9

domingo, 15 de outubro de 2023

 


NÃO TENDES LIDO?!

Em virtude de toda comoção entre os cristãos em razão do que está acontecendo com Israel, alguns  teólogos consagrados estão a dizer, "Israel foi desobediente, não é mais o povo de Deus" a estes enviamos a mesma indagação que tantas vezes Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Judeu segundo a carne, fez aos escribas e doutores da lei:

NÃO TENDES LIDO?!

²² Dize portanto à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS:  𝐍ã𝐨 é 𝐩𝐨𝐫 𝐫𝐞𝐬𝐩𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐚 𝐯ó𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐮 𝐟𝐚ç𝐨 𝐢𝐬𝐭𝐨, ó casa de Israel, 𝐦𝐚𝐬 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐦𝐞𝐮 𝐬𝐚𝐧𝐭𝐨 𝐧𝐨𝐦𝐞, que profanastes   Ezequiel 36:22


NÃO TENDES LIDO?!

²⁸ E habitareis na terra que eu dei a vossos pais e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.

²⁹ E livrar-vos-ei de todas as vossas imundícias; e chamarei o trigo, e o multiplicarei, e não trarei fome sobre vós.

³⁰ E multiplicarei o fruto das árvores, e a novidade do campo, para que nunca mais recebais o opróbrio da fome entre os gentios.

³¹ Então vos lembrareis dos vossos maus caminhos, e dos vossos feitos, que não foram bons; e tereis nojo em vós mesmos das vossas iniqüidades e das vossas abominações.

³² 𝗡ã𝗼 é 𝗽𝗼𝗿 𝗮𝗺𝗼𝗿 𝗱𝗲 𝘃ó𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘂 𝗳𝗮ç𝗼 𝗶𝘀𝘁𝗼, diz o Senhor DEUS; notório vos seja; envergonhai-vos, e confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel.  Ezequiel 36:28-32

NÃO TENDES LIDO?!

³⁵ 𝐎 𝐜é𝐮 𝐞 𝐚 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐩𝐚𝐬𝐬𝐚𝐫ã𝐨, 𝐦𝐚𝐬𝐚𝐬 𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚𝐬 𝐩𝐚𝐥𝐚𝐯𝐫𝐚𝐬 𝐧ã𝐨 𝐡ã𝐨 𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐬𝐬𝐚𝐫.

Mateus 24:35

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Entendeu, ou quer que eu desenhe?!


                                                                                     De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. Rom 10.17

O Cristianismo nunca foi e jamais será a seita das Imagens e Esculturas, dos Bezerros de ouro e dos postes de Aserá, mas sempre a Religião da Boa Nova anunciando a salvação dos pecadores na Cruz de Cristo, Palavra de Deus encarnada que nos ordena a procamá-la: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.  Marcos 16:15.

"(...) o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo, e é tão limitado pela sua própria vontade revelada que Ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou de qualquer outro modo não prescrito nas Sagradas Escrituras." Westminster, Capítulo 21.1

Todavia, “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos humanos.” Mat. 15:9 

O mesmo Deus que “nesses útlimos dias nos falou por meio de seu Filho”, antigamente nos falou de muitas maneiras, até gravou em pedra com seu próprio dedo uma Lei para seu povo na qual Escrito Está: ⁴ Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.   Êxodo 20:4

“Entendeu ou quer que eu desenhe?!” É comum indagarmos diante de alguém com manifesta dificuldade de entendimento. 

Mario Ferreira dos Santos em seu manifesto publicado sob o título de Invasão Vertical dos Bárbaros elenca entre os aspectos decadentes da Barbárie´que ameaçam a nossa civilização a Valorização do Visual sobre o Auditivo, argumentando ser pacífico entre os conhecedores da psicologia que nossa inteligência, ao fundar-se nos elementos fornecidos pelos sentidos  construindo seus esquemas mentais elege o elemento auditivo como aquele que supera tanto o visual das imagens como o visual/tátil das esculturas.  “O que se ouve com atenção guarda-se mais facilmente na memória, e a voz interior, (aquela que ouvimos quando lemos) é mais lógica e mais segura que as imagens visuais soltas da fantasia.” 

De fato, até as crianças, à medida que são alfabetizadas vão, por assim dizer, se desmamando ao crescerem intelectualmente, substituindo as gravuras, os flanelógrafos e as massinhas por conteúdo textual-auditvo, cada vez mais sólido e complexo. 

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.”  Oséias 4:6

Quer ouvir a Palavra de Deus? Leia a Bíblia em voz alta! Quem não leu e ouviu a piedosa frase atribuída a John Piper?!

²⁴ Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Mateus 7:24 

Disse também Nosso Senhor: "𝐁𝐞𝐦 𝐚𝐯𝐞𝐧𝐭𝐮𝐫𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐧ã𝐨 𝐯𝐢𝐫𝐚𝐦 𝐞 𝐜𝐫𝐞𝐫𝐚𝐦." Jo 20:29. A Palavra é para ser ouvida e não vista! Está Escrito - "(...) 𝐞 𝐨𝐬 𝐞𝐧𝐜𝐡𝐞𝐫𝐞𝐢 𝐝𝐞 𝐚𝐥𝐞𝐠𝐫𝐢𝐚 𝐞𝐦 𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐜𝐚𝐬𝐚 𝐝𝐞 𝐨𝐫𝐚çã𝐨." Isaías 56:7" Oração vem do latim, Orare - que significa “falar, dizer, pronunciar uma prece”. A Igreja de Cristo não é casa de  exposição das artes humanas muito menos uma casa de espetáculos performistas onde se vê mais os homens através de suas artes do que a Nosso Senhor e Salvador através de seu Evangelho! Está escrito, e mais de uma vez: (...) 𝑨 𝒎𝒊𝒏𝒉𝒂 𝒄𝒂𝒔𝒂 é 𝒄𝒂𝒔𝒂 𝒅𝒆 𝒐𝒓𝒂çã𝒐 ; (...) Lucas 19:45,46

Um anjo revelou a Cornélio que a salvação viria a sua casa por intermédio de Pedro “o qual lhe dirá palavras mediante as quais você e toda a sua casa serão salvos."  Atos 11:14

Quem precisa de imagens ou esculturas que têm olhos mas não veem, boca mas não falam, ouvidos mas não ouvem... se a Palavra se fez carne e habitou entre nós?!

O Nosso Redentor Vive! 


terça-feira, 10 de outubro de 2023

Culpados

"(…) Nessa noite, para grande alegria nossa, ele não falou com evasivas. Aludiu à grandeza do povo eleito, da sua importante missão de testemunha, da profecia da sua conversão, anunciadora do fim dos tempos. Humberto interrompeu para dizer que devíamos odiar os algozes de Nosso Senhor, mas o padre respondeu que cada um de nós só tinha direito a odiar um único carrasco de Cristo: «Nós mesmos, e mais ninguém...» "

François Mauriac – Nó de Víboras.



"Não é bom que o homem esteja só..."



Ao formar a mulher, Deus não retirou uma parte da cabeça do homem para que fosse superiora, nem de seus pés para que fosse desprezada, mas de bem perto do seu coração! Tantas coisas Deus faz a nosso favor, sem que paremos para percebê-las.

"As Anotações da Bíblia de D.L Moody" 



segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Cristão Radical

 Da série Cristão Radical - Paul Wascher - Cristão Radical



“ Brother Andrew O Contrabandista de Deus". 


“CONSTITUIÇÃO Art. 124. A fim de assegurar aos cidadãos liberdade de consciência, a igreja na U.R.S.S é separada do Estado, e a escola da igreja. Liberdade de culto religioso e liberdade de propaganda anti religiosa é reconhecida para todos os cidadãos.”

Havia perseguição aos cristãos nos países da cortina de ferro… 

Anne van der Bijl, 11/05/1928, 27/09/2022 conhecido nos países lusófonos como Irmão André e internacionalmente como Brother Andrew, foi um missionário cristão famoso por fazer passar bíblias de forma clandestina para os países comunistas no auge da Guerra Fria, ato de coragem piedosa que  lhe rendeu o apelido de "Contrabandista de Deus". 

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Os Coeficientes Amigos - Dica Preciosa para Redações

Da obra A linguagem usual e a composição de Júlio Nogueira.

Eis-nos face a face com o assunto sobre que temos de discorrer, produzindo uma composição de trinta ou quarenta linhas, no mínimo. O assunto é um desses temas abstratos, que nos parecem áridos, avaros de ideias. Seja:
a “amizade”, por exemplo.

Que dizer sobre a amizade? Como encher tantas linhas, formulando períodos sobre períodos, se as ideias nos escapam, se a imaginação está inerte, se nada encontramos no cérebro que nos pareça digno de ser expresso de forma agradável, e sobretudo, correta? Qual a orientação que devemos seguir versando tal assunto até a conclusão, de maneira que nos desempenhemos dessa tarefa superior às nossas forças?

Agora a resposta, o remédio. Antes de tudo: se o nosso estado de espírito é de perplexidade, se nos domina essa preocupação pungente, esse desânimo de chegar a um resultado satisfatório, o que temos de fazer é – não começar a tarefa imediatamente. 

Em vez de lançar a esmo algumas exclamações, algumas frases inexpressivas sobre o papel, reflitamos, concentremo-nos. Empreguemos uma quarta parte do tempo de que dispomos em pensar, em metodizar o assunto, em dividi-lo nos pontos que ele comporta e em submetê-lo aos coeficientes amigos 
que aqui vamos enumerar e que nos darão mais que a matéria necessária. Esses coeficientes protetores não serão sempre os mesmos nem no mesmo grau para todos os assuntos, mas há-os para tudo. Chamam-se definição, distinção, considerações gerais, antecedentes, tempo, lugar, comentários, narração a propósito do tema (fato conhecido, anedota, fábula...), consequências, discurso direto e outros que o engenho de cada um poderá estremar. Vamos colher aqui o que nos pode servir para o assunto dado – a amizade.

A definição nos dirá ser a amizade um sentimento que consiste em estimar a outrem, querer a sua presença, desejar-lhe todo o bem possível; sentimento que traz um grande encanto à vida. A distinção nos sugere que a amizade pode ser verdadeira ou apenas aparente. Nesta segunda classe estamos a ver os interesseiros, os que se dizem nossos amigos, pensando em obter vantagens e favores, e que, passada essa possibilidade, nos voltam as costas, nem nos reconhecem nos dias difíceis para nós. Por esse caminho virão também outras ideias. As considerações gerais serão no sentido de cada um semear amizade por toda parte, fazer-se estimar por todos, desarmar prevenções que às vezes, sentimos contra certas pessoas em que depois só reconhecemos bons predicados e a quem estendemos francamente a mão de amigo. Citemos a propósito o provérbio que diz: Mais vale amigo na praça que dinheiro na caixa. O Tempo nos poderia servir. É justo considera-lo o cadinho da verdadeira amizade, a qual se perpetua, resistindo aos embates da vida. O lugar nos dirá que a distância não é nociva à verdadeira amizade. Os amigos, ainda que separados, continuam a interessar-se pela sorte recíproca: correspondem-se, trocam notícia de caráter pessoal. 

Podemos recorrer a fatos históricos ou lendários que se apliquem à matéria. Aludamos ao caso de Dâmon e Pítias, que nos dará muitos pares de linhas. Se não o conhecemos, contemos um fato da vida real e, se não nos ocorre nenhum, inventemo-lo! Imaginemos alguém que chega de uma longa viagem, a quem dizem que um seu amigo está morrendo à míngua num casebre dos subúrbios, porque os negócios lhe correram mal e uma moléstia cruel o salteou, quebrando-lhe toda a atividade. Descrevamos o encontro dos dois, as medidas que o recém chegados toma, transferindo para o conforto de sua residência o amigo enfermo: a chamada do médico, a compra de remédios e dieta necessária e, por fim, o restabelecimento do amigo, que vota à atividade da vida em ainda apoiado pelo outro, faz bons negócios e satisfaz os seus compromissos. Imaginemos agora o que aconteceria se não fosse esse ato de amizade.

Procedendo com este método ainda parecerá difícil a tarefa? Decerto que não. A dificuldade primacial estava na produção das ideias, mas os coeficientes amigos nos salvaram. 


Pensando nele, investigando a melhor maneira por que se podem aplicar ao assunto, facílimo será organizar o nosso plano, isto é, o arcabouço, as linhas gerais da nossa composição, antes do que não devemos absolutamente iniciar a tarefa.

Falamos ou escrevemos quando temos alguma coisa que dizer. A ideia surge no cérebro e exterioriza-se pela palavra. No colóquio o apoio ou a contestação dos nossos ouvintes vai despertando novas ideias, que por sua vez, se vão exprimindo. Na linguagem escrita, porém, falta-nos esse estimulante, esse aparelho produtor de novas ideias. O nosso cérebro por si só é que não há de fazer o trabalho. Por isso devemos separar todas as peças da nossa composição e procurar materiais por esses processos, uma vez que não tenhamos o dom de escrever de improviso, o que só é dado a raros indivíduos.


terça-feira, 21 de junho de 2022

A Ilíada de Homero

 Por Wagner

De alguma ilha do mar Egeu, um cego traçava um triste destino a bravos guerreiros, para que assim eles fossem lembrados nas gerações vindouras - o canto excelso dos vales. Cá estamos, alguns milênios depois, tentando entender essa história. 


A  Ilíada de Homero,  O Poema Épico, esses vinte e quatro cantos que fundaram a literatura ocidental dizem respeito a certos acontecimentos ocorridos entre entre 1300 a.C. e 1200 a.C., ao longo de 51 dias no décimo ano do Cerco grego à cidade de Troia, localizada na região a que hoje chamamos Eurásia, mais precisamente na Turquia.


A Ilíada de Homero é parte de um contexto maior -  O Ciclo Épico - conjunto de obras poéticas que tratavam das duas grandes guerras travadas pelos povos Helênicos: a de Tróia e a de Tebas. Dos poemas do Ciclo Épico, apenas dois, A Ilíada e a Odisseia se conservaram intáctos. No entanto, seis pequenos poemas constantes do sumário do manuscrito mais famoso da Ilíada, o Venetus A, por tratarem de fatos anteriores e posteriores à Guerra de Tróia, nos dão uma ideia mais geral deste Ciclo Troiano,  no qual os eventos narrados pela Ilíada estão inseridos.



Os oito poemas do Ciclo Troiano:

1. Cíprias - (Cantos Ciprios) - composto por onze cantos que narravam os antecedentes da Guerra de Troia, desde as queixas de Gaia, a Mãe Terra que suportava a pesada carga de uma superpopulação, passando pela interferência de Eris no casamento de Peleu e Tetis culminando no famoso Julgamento de Paris, até o cerco à Troia. Obra atribuída a Estasino de Chipre. 

2. Ilíada - Formada pelos vinte e quatro cantos decassílabos de Homero nos quais são narrados os eventos referentes a 51 dias do décimo ano da guerra de Tróia, desde a recepção de Crises, por Agamémnon que lhe nega a restituição de sua filha Criseida até os funerais de Heitor, cujo corpo, fora resgatado pelo seu pai, Príamo, rei de Tróia.

3. Etiópida - Composta pelos cinco cantos que descrevem os momentos posteriores à morte de Heitor e a trégua concedida pelos gregos para a realização de seu funeral, cuja autoria é atribuída a Arctino de Mileto. Destaca-se o socorro prestado à Troia pela facção das Amazonas, liderada pela sua rainha Pentesileia, assassinada em batalha pelas mãos de Aquiles. Mêmnon, filho da deusa Éos (Aurora), lidera tropas etíopes e logra uma vitória para os troianos. Aquiles é morto por Páris.

4. Pequena Ilíada – os quatro cantos que a compõem, iniciam a narrativa com os jogos fúnebres em homenagem à Aquiles e a disputa entre Odisseu (Ulisses) e Ájax pelas armas do Pelida (Aquiles), culminando mais tarde na loucura e suicídio de Ájax. Trata ainda da morte de Páris, da breve união entre Deífobo e Helena até a reviravolta na narrativa iniciada pelos indícios de uma aliança em prol da queda dos Troianos firmada entre Odisseu e Helena.

5. Iliupérsis – (ou A Destruição de Tróia) refere-se a dois cantos atribuídos a Arctino de Mileto que relatam a recepção troiana ao Cavalo de Troia a despeito das advertências de Cassandra, o abandono de Tróia por parte de Anquises, Eneias e seus homens – fato este que será o marco da Eneida de Virgílio. Trata das mortes de Príamo, Rei de Tróia e do bebê Astíanax, filho de Heitor, pelas mãos do filho de Aquiles, Neoptólemo e como este reclama a posse de Andrômaca como sua cativa. Menelau mata Deífobo e recupera a sua esposa, Helena. Ainda nesses cantos, Menelau mata Deífobo e recupera Helena, Cassandra encontra refúgio no altar de Atena, enquanto Políxena é sacrificada ao espírito de Aquiles.

6. Nóstoi – (Os Regressos) composto por cinco cantos de autoria desconhecida que narram a partida dos Aqueus após a destruição de Tróia e como fora realizada a distribuição da pilhagem entre os principais guerreiros. A fim de apaziguar Atenas, enfurecida pela conduta dos Aqueus na guerra, Agamémnon permanece em Tróia, enquanto Menelau e Helena partem, no entanto, por conta de uma tempestade são obrigados a passarem um tempo no Egito. Em Micenas, Agamémnon é morto por Orestes, após trama armada por Clitemnestra e seu amante Egisto – a vingança pela morte de Ifigênia, oferecida em sacrifício à Àrtemis por seu pai, Agamémnon, a fim de que os ventos possibilitassem a partida dos navios helênicos rumo a Tróia.

7. Odisseia – os vinte e quatro cantos homéricos que descrevem as aventuras de Ulisses (Odisseu) durante dez longos anos tentando regressar a sua pátria, Ítaca.

8. Telogonia. Dois cantos que narram outras aventuras de Ulisses após conseguir retornar à sua casa em Ítaca. Descrevem a busca de Ulisses por Telógono, seu filho com a feiticeira Circe, que viria matar o pai num confronto, confirmando uma antiga profecia feita por Tirésias, no canto XI da Odisseia.

Vale lembrar que o Ciclo Épico era composto pelos ciclos Troiano e Tebano, deste último, faziam parte três poemas - Edipodia, Tebaida e Epígonos. Todas estas obras integravam o conjunto de poemas desaparecidos do Ciclo Épico, cujos temas foram tão bem explorados na Tragédia Grega, atravessando os milênios e chegando até nós graças o gênio criativo de Ésquilo, Sófoles e Eurípedes.  





A fraqueza dos deuses gregos e as virtudes daqueles homens


Os deuses gregos, deuses, pero que no mucho.

Se por um lado encontramos nos mitos gregos homens e mulheres divinizados pela grandeza de seus feitos como Diomedes, Heitor, Ifigênia e Penélope, por outro, deuses são flagrados constantemente padecendo das mais abjetas fraquezas humanas - intemperança, devassidão, perversidades, inveja e covardia. Na Ilíada, nos eventos entre o grande Titida, Ares e Afrodite, nos deparamos com deuses olímpicos fugindo às pressas para o refúgio de sua morada, após serem feridos por um simples mortal. Constrangimento ao qual não encontramos qualquer um daqueles homens, que por dez longos anos, longe de sua terra natal ou defendendo-a de invasores humanos e divindades ressentidas, tombavam naquelas campinas banhadas pelo seu próprio sangue.

Aquiles, arrastando o corpo de Heitor -  afresco no andar superior do salão principal do Achilleion em Corfu, Grécia.

Aquiles, o grande herói, pero que no mucho

O próprio Aquiles, um semideus tomado por muitos como o grande heroi da Ilíada,  lutava em causa própria. Munido de poderes sobre-humanos e armas forjadas por Hefesto,  abatia inimigos mais corajosos, pois cientes do inevitável, ainda assim o enfrentavam em combates assimétricos. O grande dilema do Pelida foi escolher entre dois destinos que os deuses lhe prescreveram - uma pacata, porém  longa vida no ceio pacífico de uma família ou aquela breve mas renomada existência no inferno das batalhas. E foi apenas por uma questionável glória pessoal - ser lembrado - que lutava, e por ela, chegou ao ponto de conspirar contra seus aliados, por intermédio de sua mãe junto a Zeus, para que seus irmãos em armas  sofressem as supostas consequências de sua ausência e suplicassem por seu retorno ao campo de batalha. Aquiles, por pura vaidade não apenas se negou a lutar mas ainda sabotou os gregos por conta da posse de uma cativa, Briseida, após se indispor com um rei que, se a tomou para si, também havia abrido mão da própria filha pela causa grega*; tal conduta de Aquiles, muito próxima daquilo que se conhece por traição,  custou a vida de muitos aqueus, incluindo a de Pátroclo, o seu melhor amigo. Invertendo a conhecida frase de Churchill, entre a guerra e a desonra, Aquiles escolheu a guerra...

*Bem antes dos eventos narrados no poema de Homero, ainda nos preparativos da partida rumo à Troia, segundo o relato de Eurípedes, Agamemnon estava numa floresta sagrada quando provocou a ira de Ártemis ao abater um cervo muito estimado por aquela deusa. Como punição os ventos de Áulis cessaram impossibilitando a partida de seu exército. A deusa da caça exigiu que o rei sacrificasse sua própria filha, Ifigênia. Agamemnon usando de artifícios faz com que Clitemnestra, sua esposa, traga Ifigênia até o porto de Áulis para que se realizem as cerimônias de um suposto casamento entre a princesa e Aquiles. Quando se arrepende já é tarde. Acredita-se que foi por conta desta tragédia que Agamemnon foi morto dez anos depois, em trama armada  por Clitemnestra e seu amante Egisto. 

Shakespeare não poupou Aquiles:

                  Quarrel of Achilles and Agamemnon William Page

"Pacta sunt servanda" 

A Dissonância: "Enquanto o tema se desenvolvia, no entanto, surgiu no coração de Melkor o impulso de entremear motivos da sua própria imaginação que não estavam em harmonia com o tema de Ilúvatar;" O Silmarillion - J. R. R. Tolkien

"Tróia, ainda de pé sobre a base, já teria sido aniquilada e a espada do grande Heitor há muito tempo já não teria dono, não fossem os erros que vou citar. 

“Foi desprezada a essência do governo
E vede quantas tendas gregas restam
Vazias na planície, vis facções.
Se o general não é como a colmeia, 
À qual voltam, atentas, as abelhas, 
Que mel é de esperar? Sem hierarquia
O indigno iguala o digno na beleza.
O próprio céu, os astros e este mundo
Observam grau, prioridade, escala,
E curso, e proporção, forma e rodízio,
Comando e posto em toda a linha de ordem. 
E portanto, vede o glorioso planeta, o Sol, 
trona numa nobre proeminência 
no meio das outras esferas; 
seu olhar salutar corrige o sinistro aspecto
dos planetas funestos e se impõe com autoridade
soberana e absoluta, aos bons e aos maus astros.

Mas quando os astros entram em desordem,
Que pragas, que presságios, que motins,
Que revoltas no mar, tremor na terra, 
Tempestade nos ventos, medos, horrores,
Perturbam, quebram, rasgam as raízes
Da unidade e calma dos Estados.
Se acaso se destrói a hierarquia
Que é a escada de todo alto desígnio,
Toda a empresa se abala. Como podem
Classes de escolas, ou comunidades,
Pacífico comércio entre cidades,
A primogenitura, cetros e coroas, 
Senão por graus manter-se onde merecem?
Remova-se esses graus, falhe essa nota
E vejam que discórdia! As coisas entram 
Em conflito gratuito; as águas, soltas,
Erguendo-se mais alto do que as praias
Tornam-se em lama todo o globo sólido:
O mando entrega-se à imbecilidade,
E o rude filho fere e mata o pai.
Seria a força o certo: o certo e o errado, 
De cujas lutas a justiça nasce, 
Perderia o nome, coa justiça.
Então tudo se enquadra no poder,
O poder na vontade e no apetite,
E o apetite – lobo universal –
Baseado no poder e na vontade, 
Terá co’a força o mundo como presa,
E acabará comendo-se a si mesmo."

(Shakespeare, Troilus e Créssida, I.iii. 78-124 - fala de Ulisses).



Existe uma curiosa semelhança entre os eventos que abrem e fecham o poema  - parte do momento em  que o sacerdote de Apolo, Crises, roga pela liberdade  de sua filha Criseida tomada como despojo por Agamemnon e termina com o funeral de Heitor, cujo cadáver mutilado, fora resgatado das mãos de seu algoz, Aquiles,  por um também aflito e suplicante pai em busca do filho - Príamo, rei de Troia - se o atrida, que havia sacrificado a própria filha*, humilha um sacerdote provocando a ira dos deuses, Príamo, rei dos teucros e pai amoroso, ostenta a nobreza ao humilhar-se, conquistando o respeito de seu maior inimigo.


Crises diante de Agamemnon. Mosaico, Nápoles, Casa das Ninfas, século IV.

        Príamo prostrado diante de Aquiles implorando o cadáver de seu filho, por Teobold Cartran


Os domínios de cada deus.

Zeus, Poseidon e Hades

Após derrotar o  seu pai, Cronos, na grande batalha que deu início a Geração Olímpica dos Deuses, Zeus e seus irmãos, Poseidon e Hades, dividiram entre si os domínios daquilo que, segundo a Mitologia Grega, um dia fora simplesmente o Caos. Coube a Zeus, além da supremacia no Olimpo, o governo dos céus e dos eventos meteorológicos, daí o epíteto - aquele que cumula nuvens. Os mares ficaram a cargo de Posseidon e sob a tirania do taciturno Hades, a parte mais sombria, o mundo inferior, o Tártaro; seus súditos - os espíritos dos que já não vivem. 

                                    Caronte, o Barqueiro

O Barco de Caronte por Jose Benlliure Y Gil

Segundo a crença, Caronte era o barqueiro responsável pela travessia dos recém mortos cruzando os rios Estige e Aqueronte - a funesta jornada sem volta até os vales tenebrosos de Hades. Uma ou duas moedas colocadas sobre os olhos ou boca dos cadáveres era o preço da passagem segundo a tradição funerária dos antigos gregos. Os espíritos dos que não pagavam ou cujos corpos não haviam passado pelos rituais de costume, eram repelidos impiedosamente pelo canoeiro e condenados a vagar por aquelas margens lamacentas durante um século. Daí o empenho de Príamo em resgatar o corpo de seu filho, o valente Heitor, príncipe de Troia. 

Cite-se a propósito, a cena descrita pelo autor romano Luciano de Samósata,  125 - 181, em sua obra Diálogos dos Mortos, na qual Caronte, o barqueiro de Hades,  insistia desesperadamente com o filósofo cínico Menipo para que este lhe entreguasse o óbolo, pagamento obrigário, sem o qual os mortos não poderiam passar para o reino inferior. Sucede-se que Menipo não tinha com que pagar, pelo que só restaria uma solução: colocar na margem da vida o passageiro inadimplente. 


Todo o cerco, segundo Dares Frigio, durou dez anos, oito meses e doze dias,  806 mil gregos e 278 mil troianos tombaram naquelas planícies, ressoando-lhes em torno a armadura. A maioria dos historiadores situam a Guerra de Troia no período que vai de 1194 a 1184 a.C.  A história aqui, muitas vezes se confunde com o mito, vários eventos segundo a crença grega, ja haviam sido previstos por oráculos e a própria guerra fora um expediente utilizado por Zeus a fim de  aliviar a pesada  carga de seres humanos sobre uma exausta e queixosa Gaia (Terra). 


Os deuses certamente não eram gregos nem troianos, mas por motivações diversas preferiam uns a outros e  tiveram uma participação tão intensa e decisiva no conflito que muitas vezes lembram os nossos atuais gamers manipulando guerreiros virtuais com seus joysticks. Mas nem sempre e nem todos aqueles avatares encarnados  eram controlados pelas divindades olímpicas. Heróis como Diomedes as desafiaram e foram capazes de apresentá-las à dor, ao medo e à petulância dos mortais, ao feri-las com suas lanças certeiras de sombras cumpridas e fazer-lhes jorrar o icor, o sangue dourado dos deuses.

                            Arthur Heinrich Wilhelm Fitger - Diomedes Ferindo Afrodite.


Ilíada, Canto V 
Após Diomedes ferir Afrodite, as palavras aladas de Homero na vóz do Titida:

             “Filha de Zeus poderoso, conserva-te longe da luta.
             Ou seduzir não te basta mulheres privadas de força?

             Se ainda sentires desejo de ver um combate de perto,
            creio que só o nome ‘guerra’ há de grande pavor inspirar-te.”

 
                O Segredo das muralhas.

                  As Ruínas de Troia 7, uma das Fantásticas descobertas de Heinrich Schliemann 

Os gregos conceberam deuses humanos demais. Zeus, que havia destronado seu antecessor, o próprio pai, Cronos, dando origem a geração olímpica, foi também surpreendido por algumas insurreições arquitetadas por  seus pares. Numa delas, com a ajuda da Nereida Tetis que viria depois ser a mãe de Aquiles, manteve-se no poder e puniu os rebeldes. Dentre os frustrados estavam Poseidon e Apolo, como punição ambos foram submetidos à maior humilhação que se poderia impor  a uma divindade Olímpica: reduzi-los, ainda que por apenas um breve período, a meros serviçais de um simples mortal. O escolhido foi Laomedonte rei de Troia pai de Príamo.Uma das tarefas: a construção das famosas muralhas, eis porque eram barreiras intransponíveis e jamais foram superadas pela força dos homens - não foram erguidas por mãos humanas...


Continua.

A Fronte coroada de espinhos

e os ligeiros barcos da Aônia Como vim a editar as Memórias de Além-Túmulo (em breve na Amazon e/ou aqui em nosso blog) Comecei por dois fra...