Uma Reforma de verdade é sempre um retorno a um desejável estado original que pelas interpéries do tempo ou dos homens, se perdeu. Todavia, não raro, quando alguém pretende revolver coisas estabelecidas por meio de um pacote de maldades, as ditas "reformas" que na verdade sucateiam, mas se deparam com o prudente antagonismo do senso comum, um militante formado em administração, psicologia, sociologia, ou qualquer outro "especialista orgânico", fica responsável por carimbar a proposta indecente com o devido respaldo acadêmico por meio daquela clássica palestra acerca deste ou daquele "terrível mal" que assola a humanidade. No caso de nossa reflexão: Resistência a Mudanças.
E se há qualquer aparente relevância na fonte de tal expressão, vem menos da reflexão do que daquele vício de se repetir chavões. Supondo equivocadamente que toda e qualquer mudança signifique uma melhoria, ignoram o óbvio já constatado de maneira inequívoca pelos doutorandos do senso comum: que a mudança em si mesma não significa muita coisa, além de nada.
Nesta época de ataque a tudo que resistiu ao teste do tempo, mais precisamente a quase tudo que é bom, belo e verdadeiro, é comum ouvir tal clichê por parte daqueles que se arrogam o direito e o dever de tornar nosso mundo um lugar melhor a despeito, muitas vezes, do mal que já fizeram a ele num passado recente ou no mínimo, da absoluta ausência do menor indício de terem promovido semelhante aperfeiçoamento em si próprios.
Um ponto mais avançado no tempo, disse certa vez Edmund Burke 1729-1797, não é necessariamente o lugar mais avançado na história do conhecimento humano, já segundo Chesterton, coisas mortas sempre se deixam levar pelo fluxo das águas, como caniços ao vento, lembramos nós, das Escrituras, mas só algo vivo pode resistir ao ímpeto das correntezas, conclui o destro escritor inglês.
Certamente acreditamos na possibilidade de alteraçoes virtuosas, mudanças desejáveis, transformações, conversões que nos conduzam ao Melhor... como aquela que ocorreu há cerca de 2000 anos a um perseguidor* da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, no caminho pra Damasco e pela Graça de Deus continua acontecendo. Todavia, o discurso dos alegres otimistas da moderna academia é que toda mudança promovida pela época da vez é maravilhosa em si mesma porque se chama progresso, e que toda e qualquer resistência ao progresso é sintoma de reacionárismo, negacionismo, atitude antidemocrática, incapacidade de adaptação como diria Darwin - uma dificuldade de sobreviência.
Ora, a verdade pode ser e já foi exatamente o contrário pois a depender da circunstância e da mudança, aqueles que mais fácil se adaptam são os que mais rápido se corrompem...
O fato é que já nascemos resistindo à mudança, que um dia, inexoravelmente nos levará de volta ao pó.
Respirar é Resistir a mais comum e inevitável das mudanças.
Em um campo de batalha, o exército que ataca deseja provocar uma “mudança” em seu inimigo, o que se defende é “resistente a esta mudança”, um e outro atuam em busca de uma melhoria, na convergência de seus interesses. Um virus ou bactéria que por ventura nos provoca uma enfermidade, pretende uma "mudança" em nosso organismo, o nosso sistema imunológico, "resiste a essa mudança". Um ladrão que nos aborda, pretende promover uma "mudança' em nosso patrimônio, a polícia, se chegar a tempo, "resistirá a esta mudança' - fazemos centenas de abdominais e caminhamos dezenas de quilômetros diariamente "resistindo ás mudanças" que as pizzas os amburgueres, os chocolates e os refrigerantes que não mais comeremos nem mais beberemos, provocarão em nosso corpo...
Lutemos o bom combate, vigiemos em oração, reforcemos a nossa segurança com a armadura de Deus, nos instruindo cada vez mais em Sua Palavra que adestra as nossas mentes, as nossas mãos e o nosso falar, para os bons pensamentos, boas obras e boas palavras, prestemos atenção em tudo, retenhamos o bem e nos afastemos do mal, amém.
Bendita seja a resistência, precisamos dela mais do que nunca"
*Saulo de Tarso perseguiu a Igreja cristã, 1Cor 15.9, por volta de 33/34 dC, foi pela Graça de Deus convertido ao Evangelho de Jesus Cristo, Atos 9, se tornou Paulo, o Apóstolo dos Gentios e escreveu praticamente a metade do Novo Testamento. Cremos neste mesmo Evangelho de Jesus Cristo. Algumas coisas podem e devem mudar, outras, não.


